" O Monte ", Kerolaine Menezes, Rafaela Paz e Rhaíssa Ferreira (Olimpíada de Língua Portuguesa)

Centro de Porto Alegre pessoas correndo, barulho, fumaça e muito mau humor A visão que temos geralmente nunca é boa só vamos para lá com o objetivo de solucionar problemas

Sempre com pressa e estressados Em uma visão histórica o centro é lindo, mas hoje em dia quando vamos nele nunca é para apreciar sua beleza Porto Alegre é tão cheia de prédios, pontes, carros e poluição Já O Monte um lugar na Zona Leste de Porto Alegre é conhecido por poucos Um lugar calmo, cheio de natureza e com uma vista exuberante

Lá é o lugar onde muitas pessoas vão para rezar e se sentir em paz No percurso para chegar ao monte podemos ver algumas plantações e caminhos/trilhas que vão ao desconhecido Alguns podem se perguntar o porquê as pessoas vão ao monte rezar Então uma citação de um livro chamado "O Monte Cinco" do autor brasileiro Paulo Coelho "Para que pudesse ver o vale, a cidade, as outras montanhas, as rochas e nuvens

O Senhor costumava mandar seus profetas subir as montanhas, para conversar com Ele Eu sempre me perguntei porque fazia isto, e agora entendo a resposta: quando estamos no alto, somos capazes de ver tudo pequeno Nossas glórias e nossas tristezas deixam de ser importantes Aquilo que conquistamos ou que perdemos fica lá embaixo Do alto da montanha você vê como o mundo é grande, e os horizontes são largos

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Entrevista com o Prof. Dr. Nonato Furtado – Português como Língua Estrangeira (PLE)

Boa Noite Estamos aqui para o 4º Encontro Linguística e café

Eu gostaria de agradecer inicialmente à Universidade Federal do Ceará à Pró Reitoria de Extensão pelo apoio ao Projeto e fazer um agradecimento especial ao Professor Nonato Furtado Por disponibilizar um tempo na sua agenda Boa Noite, Professor Muito obrigado Boa noite, Matheus Eu que agradeço a você, ao TECLE pelo convite e pela oportunidade de estar aqui pra falar um pouco do Ensino de Português para Estrangeiros Eu vou fazer uma breve leitura do resumo, uma breve leitura do currículo do Professor Nonato

Ele é Doutor em Linguística Aplicada pela UECE Com estágio e Doutorado sanduíche na Universidad Abad Oliva na Espanha Mestre em Linguística aplicada pela UFC e Graduado em Letras Português Espanhol pela UFC e em Pedagogia pela UVA Professor Efetivo na UFC na área de Português como Língua adicional Estrangeira – PLE e Português como Língua Materna na Casa de Cultura Portuguesa Coordenador do Curso de Português para Estrangeiros do Projeto TANDEM do Posto aplicador do SELPEBRAS e do Programa Idiomas sem Fronteiras Desenvolve pesquisas na área de Linguística Aplicada com destaque para Português como Língua Adicional – PLA com processo de reescrita textual na perspectiva Backtiniana Avaliação e produção de Material Didático para o Ensino de Línguas para o Ensino de Português para Estrangeiros e Aprendizagem Cooperativa

E pra gente iniciar eu queria fazer essa levantar essa primeira questão O que diferencia o Ensino de Português para estrangeiros do Ensino de Português como Língua Materna ? Bem, Matheus e aos telespectadores do TECLE Existe muitas questões interessantes Quando a gente fala do Ensino de Línguas e esse contraponto é importante falar das diferenças do Ensino de Língua Materna de Língua Portuguesa na perspectiva de Língua Materna e o Ensino de Português para estrangeiros Quando a gente fala de Língua Materna é interessante pensar no que nós entendemos como Língua Materna ou como Primeira Língua Há muitas divergências sobre esse conceito mas alguma, mesmo dentro dessas divergências há muitas coisas em comum A Língua Materna para alguns teóricos, não necessariamente é a Língua da mãe É a língua na qual o sujeito falante ele desenvolve a sua subjetividade E em alguns contextos essa língua também é a língua da mãe, a primeira língua , a língua do contexto familiar, as vezes a língua que ele fala em casa, que ele fala na comunidade

Certo Nem sempre, de novo Essa Língua Materna é a língua da mãe, mas a grosso modo seria a língua na qual ele se sente mais a vontade, mais fluente, é a língua onde ele aprende a desenvolver essas socio-objetividades Quando a gente pensa no Português como Língua Materna por exemplo, eu estou pensando, dentre muitos conceitos No Brasil no Ensino de Português para brasileiros, mesmo sendo falantes de português, nós vamos pra escola e aprendemos a usar a língua portuguesa para sermos proficientes nessa língua em diferentes contextos de comunicação no trabalho, na escola, nas interações sociais E aí Há algumas diferenças quando a gente contrapões, por exemplo O conceito de língua materna, com o conceito de português para estrangeiros Por que ? Dentre esse viés de Português para Estrangeiros, aí a gente tem alguns conceitos que emergem daí

Dentre eles o conceito de língua estrangeira, por exemplo De segunda língua, de língua adicional A gente pegar, por exemplo, alguns teóricos quando eu estou falando do ensino, por exemplo, de Espanhol no Brasil Eu tô falando de um ensino de Espanhol, do Espanhol como Língua Estrangeira Ou seja, o Espanhol sendo ensinado num contexto no qual ele não é língua oficial

Então, assim Quando eu parto do pressuposto do ensino de Português no Brasil Para estrangeiros, obviamente eu não estou falando do conceito de língua estrangeira, mas é interessante assim pra ficar bem claro Não sei se todo mundo, está familiarizado com esses conceitos, mas pra ficar claro que conceitos são esses e que conceito a gente adota por exemplo, aqui dentro do Português para Estrangeiros da Casa de Cultura Portuguesa Então, assim Para alguns teóricos a língua estrangeira é um conceito que não dá conta do que essa língua representa de fato a grosso modo, o conceito de língua estrangeira seria aquela situação de: a língua ela é estudada num numa situação comunicativa, na qual ela não é língua oficial Dei o exemplo de Espanhol, mas o ensino de inglês no Brasil Do Português na China, por exemplo seria língua estrangeira, mas o conceito "estrangeira" vem de "estranho" do outro, por exemplo Alguns teóricos como: Leffa, por exemplo

Eles criticam, o conceito de língua estrangeira porque é o conceito que não dá conta Ele, a princípio se fundamenta numa questão que é uma questão geográfica Eu acho muito interessante, o conceito de língua adicional O sujeito já tem uma língua uma primeira língua, seja vamos imaginar imigrantes no Brasil Vamos imaginar por exemplo, a comunidade surda indígenas que já tenham uma língua e que aprendem uma outra língua a partir dessa, então seria aí uma língua adicional, ou para alguns teóricos, uma segunda língua Essa questão da segunda língua nem sempre é aquela que vem posterior a primeira Eu posso ter aí línguas outras que o sujeito fala que são consideradas, segunda língua Para dar um exemplo e ficar bem claro vamos imaginar uma situação, seguinte: Eu tenho uma criança que nasce na Alemanha aí o pai é Espanhol, a mãe é Francesa Com a mãe, ele se comunica em francês e com o pai em espanhol mas na escola e na comunidade ele se comunica em alemão por exemplo, aí se questiona: Qual seria a língua materna desse menino? Então, pra alguns teóricos concomitantemente ele teria três línguas maternas, porque ele consegue se expressar subjetivamente, tanto em francês, em francês, em espanhol e em alemão

Mas problematizando mais ainda vamos imaginar que esse menino, aos cinco anos ele se mude para os Estados Unidos, por exemplo E agora aos cinco anos ele aprende inglês o inglês nesse caso, passa a ser uma segunda língua pra ele No entanto, essa questão das línguas pode haver uma mudança de "status" Isso é bilinguismo? Sim sim Isso é bilinguismo E aí ele é adquirido obviamente na na idade precoce

Existe dentro do Ensino de Português para Estrangeiros o conceito com o qual a gente trabalha que é o conceito: de Língua de herança, por exemplo Ainda pegando como ancoragem esse exemplo ele pode crescer e aí ele pode perder, por exemplo um pouco a fluência nessas outras línguas e falar inglês como um nativo Então, essa língua inglesa pra ele que agora ele aprendeu nos Estados Unidos passa a ser funcionar como uma língua materna Então essas classificações elas são muito tênues o que é nesse contexto, por exemplo O conceito de Língua de herança? Vamos imaginar Pais brasileiros que moram na França, por exemplo

E aí, em casa eles se comunicam em português com o filho, em todas as situações eles se comunicam em português, mas em todas as outras situações sociais, esse menino ele fala francês certo O português é restrito ao contexto familiar e o conceito de língua de herança é como algo que você herda realmente Só que nesse caso é uma questão da língua Ele tá herdando a língua e consequentemente outras questões, como a cultura Então, assim quando a gente vai pensar o Ensino de Português para Estrangeiros é interessante entender esses conceitos entender, por exemplo que aí eu tô lidando com um falante que não é falante nativo daquela língua ou seja, não foi naquela língua que ele aprendeu a tecer a sua subjetividade, a se expressar a gente até brinca, quando o sujeito vai dizer um palavrão Ele fala fala várias línguas, ele é poliglota Em que língua ele pensa inicialmente pra dizer esse palavrão? pra expressar uma subjetividade, amor, medo, angústia

Então, assim é interessante dentro quem vai trabalhar com o Ensino de Português para Estrangeiros entender essas particularidades Não só com o ensino de Português para Estrangeiros, porque aqui a gente tá falando especificamente disso entender o conceito de língua estrangeira, de língua materna, de segunda língua o conceito de língua adicional, que é um conceito que eu acho muito interessante Toda língua que você aprende e é adicionada à sua língua materna a gente entende como uma língua adicional Então, por exemplo

Os estrangeiros na perspectiva teórica que eu adoto, por exemplo Que aprendem português aqui na UFC Eles estão aprendendo português como uma língua adicional ou para outros posicionamentos teóricos como segunda língua, porque aí o português é uma língua oficial diferentemente de outros contextos ele vem pra Universidade aprende português, mas ele sai na rua, ele tá ouvindo, ele tá vivenciando a língua em situações de linguagem bem diferentes OK Eu gostaria de saber quais são atualmente os principais desafios do Ensino de Português para Estrangeiros ? É

O Ensino de Português para Estrangeiros, ele tem avançado muito mas assim ainda existem muitos desafios Eu posso elencar aqui alguns Por exemplo Formação de professores de Português para estrangeiros Hoje no Brasil, são pouquíssimas Universidades onde você tem uma formação em português para estrangeiros por exemplo, a UFC tem a formação de professores de espanhol, de francês, inglês, italiano, alemão Mas, não tem o curso de formação de português para estrangeiros Obviamente, então como é que os profissionais atuam, ou são capacitados para atuar nessa área ? Eles pegam muito, assim o know how do Ensino de línguas estrangeiras, as vezes ele é professor de inglês português/inglês ou português/espanhol e aí esse know how é transferido para o ensino de português para estrangeiros, então assim uma um grande desafio, hoje

Por exemplo, é a formação inicial e continuada Programa de formação inicial e continuada de professores de português para estrangeiros Talvez, uma segunda questão que eu elenque talvez tenha uma relação com essa primeira Que são: uso de materiais didáticos para o ensino de de português para estrangeiros Quando você pega, por exemplo os materiais de inglês, de espanhol, de francês e você compara com o que a gente tem no mercado hoje com os materiais didáticos de português para estrangeiros, você percebe que primeiro a quantidade de materiais é mais restrita E você percebe em muitos materiais, muitas limitações que aí a gente retoma de certo modo o que eu falei inicialmente parecem materiais de ensino de português como língua materna não contemplando questões muito peculiares no ensino de português para estrangeiros, por exemplo Eu tenho no ensino de português para estrangeiros, línguas que se aproximam Por exemplo, o português e o espanhol

Certo Então, dentre Nesse contraste linguístico: português e espanhol é interessante que os materiais didáticos contemplem essas questões Eu tenho particularidades próprias do espanhol como os heterosemánticos, os heterotônicos, os heterogenéricos São particularidades que o professor ao lidar com hispanofalantes, por exemplo

Que querem aprender português, é interessante que ele saiba e são poucos os materiais que dão suporte nisso, mas não só nessa questão pegando essas línguas mais próximas Vamos pensar em línguas mais distantes também Língua onde eu tenho um distanciamento muito grande do ponto de vista sintático, semântico, morfológico e consequentemente do ponto de vista cultural Onde as culturas, a variação por exemplo do grau de formalidade Aqui no Brasil, nós por exemplo temos Nós, no geral, somos considerados um povo mais aberto que nos aproximamos mais das pessoas que falamos tocando nas pessoas somos mais calorosos mais informais, digamos assim

E aí quando a gente vai lidar com o ensino de línguas, essas questões com essas questões também a gente lida, desde gestos que pra nós são óbvios mas você tá lidando com um estrangeiro, então às vezes um gesto que pra gente comunica muita coisa naquela outra língua ou naquela outra cultura isso não diz nada ou em muitos casos chega a ser até ofensivo No caso o toque o brasileiro tem muito essa mania de chegar "tudo bom!?" os estrangeiros não, alguns já acham Em algumas culturas, eles consideram isso muito invasivo, por exemplo

Então assim, eu tenho o desafio de formação de professores, eu tenho o desafio de de materiais didáticos que deem esse suporte, contemplem essas questões, são questões interculturais, também de mostrar o contraste dessas línguas a difusão do Ensino de Português para estrangeiros no Brasil tem crescido, tem se difundido Assim, muito nos últimos anos, o Ensino de Português para estrangeiros, mas assim ainda existe, pra mim, elencaria isso como os principais desafios ainda A gente não tem um programa a nível, inclusive Nacional de formação mesmo, com o aumento da quantidade de estrangeiros aqui no Brasil, seja por situação de fuga de imigração A gente ainda tem ainda é muito carente a parte de material didático de formação

Você poderia falar um pouco do cenário do Ensino de Português para Estrangeiros na Casa de Cultura Portuguesa? Pois é, a Casa de Cultura Portuguesa Ela está dentro Para quem não conhece, a Universidade Federal do Ceará, tem o que hoje no Brasil o maior programa de Ensino de Línguas, o Programa de Extensão que são as Casas de Cultura A gente tem a Casa de Cultura Alemã, a Britânia, a Italiana, A Francesa a Hispânica e a Portuguesa Tradicionalmente, a Casa de Cultura Portuguesa tem trabalhado, apesar do nome a gente não trabalha com o Ensino da cultura de Portugal

Embora, nos seus primórdios se trabalhasse isso Cursos de Literatura portuguesa, de Cultura Portuguesa Mas ao longo do tempo ela foi ganhando outro perfil e enssencialmente é o ensino de português para brasileiros com um enfoque mais gramatical e de produção textual Nos últimos anos, a partir de 2014 Nós sistematizamos um programa de Ensino de Português para estrangeiros; Curso de Português para estrangeiros língua e cultura brasileira Inicialmente, a gente começou com um semestre eu lembro que a gente abriu a primeira turma abriu 20 vagas se inscreveram 37 estrangeiros a gente percebeu que existia uma demanda reprimida Porque, embora a UFC já tivesse alguns cursos de português para estrangeiros esses cursos eram restritos a estudantes que tinham vínculo com a UFC, e aí aqui no Ceará tem aumentado cada vez mais o número de estrangeiros, seja por conta do Porto do Pecém, Empresas que tenham se instalado aqui de tecnologia, pessoas que vem fazer intercâmbio profissionais, não necessariamente acadêmicos e aí a gente tinha uma demanda reprimida A gente começou e foi aumentando Assim, a demanda e a oferta também

Então, nós sistematizamos o curso e adequamos, porque antes pedia certificados Português para estrangeiros um, dois e três E o estudante voltava para a Europa ou para os Estados Unidos ou, enfim, pra Ásia esse certificado não dizia muita coisa pra eles Então, a gente como referência, nós adequamos os nossos cursos ao Marco Comum Europeu ao Quadro Comum Europeu para o Ensino de Línguas E aí, hoje, nos nossos cursos são divididos em três níveis Nível A1 Nível A2 e o Nível B1 Cada um desses níveis nós temos dois semestres, então um semestre letivo ele tem 64 horas aulas A cada nível de 128 horas aulas ele, a cada semestre ele recebe um certificado, mas o nível cada nível são dois semestres, então são seis semestres, mas são independentes ele pode fazer o semestre 1 ou pode fazer teste de nível pra o semestre seguinte além do do curso de português para estrangeiros nós identificamos, por exemplo, a necessidade que eles tem de praticar a língua E é muito curioso também, a gente identificou isso Muitos brasileiros querem

Sei lá Aqui no bosque, as vezes abordam os estrangeiros pra praticar inglês ou espanhol E aí a gente viu essa demanda e criou a ideia do projeto TANDEM, TANDEM são aquelas bicicletas de dois lugares, onde duas pessoas pedalam com um objetivo e tal Aí nós sistematizamos o que a princípio era um grupo de conversação E aí nós organizamos o projeto E criamos o projeto TANDEM, que são encontros de duas horas onde uma hora o estudante, ele as práticas são em língua portuguesa e na outra hora é na língua estrangeira, então é uma troca linguística Imagina que você é um alemão que quer aprender português e eu quero aprender alemão então, a gente senta e parte desse tempo eu converso com você em português com base em alguns temas pré-estabelecidos num outro momento a gente conversa em alemão, então eu vou aprender é uma troca linguística Esse projeto, hoje está sistematizado

A gente, inclusive, vai começar semana que vem a edição desse semestre, desse programa Então tem grupo de português/espanhol, português/francês, português/italiano português/inglês Então, nesses grupos os brasileiros conseguem praticar essas línguas estrangeiras com os estrangeiros e também conseguem aprender os estrangeiros aprenderem e praticarem português Você poderia nos dar um panorama sobre as pesquisas do Ensino de Português pra estrangeiros no Brasil? Como eu disse, né Tem crescido muito a história do ensino de português para estrangeiros no Brasil Hoje, por exemplo existe alguns catalisadores desse crescimento, dentre eles o que a gente pode citar, por exemplo o governo criou como uma demanda do programa Ciências Sem Fronteiras, muitos brasileiros tinham bolsa para estudar no exterior e muitos escolhiam Portugal, porque não dominavam a língua estrangeira E aí o governo vendo essa necessidade investiu no programa de línguas que é o Programa Idioma Sem Fronteiras, que inicialmente começou com o inglês Com o tempo forma se estruturando outros idiomas e hoje existe um programa que eu coordeno aqui na UFC, que é o Programa Português sem Fronteiras Obviamente, com a criação oficial desse programa nas na maioria das Universidades brasileiras, criou-se uma oferta que não existia

Então, Universidades que por exemplo não tinham o curso regular de Português para Estrangeiros mas agora oferecem Curso de Português para Estrangeiros via Idiomas Sem Fronteiras, por exemplo Então, a gente pode dizer que na maioria das Universidades Todas as Universidades que tem o programa Idioma sem Fronteiras, obrigatoriamente tem que ter o Português sem Fronteiras, Então são cursos, por exemplo voltados para a realidade acadêmica com o foco em estrangeiros com vínculos com as Universidades, sejam funcionários, professores ou técnicos administrativos ou estudantes Então, assim é uma sinalização de um crescimento

Então, com essa Com a criação do Português sem Fronteiras, obviamente todas as Universidades passarão a ofertar cursos de Português para estrangeiros São cursos como: Aspectos da cultura brasileira, Cursos de produção oral, de produção escrita, produção de gêneros acadêmicos preparatórios para o SELPE-BRAS Mas, fora o Idioma sem Fronteiras algumas Universidades tem, recentemente eu participei agora no final de Maio no Encontro Nordestino de Coordenadores do Português sem Fronteiras na Universidade de Campina Grande A gente trocou algumas experiências, o Norte e Nordeste Então, a gente percebe que mesmo fora do Idioma Sem Fronteiras algumas Universidades tem algumas experiências muito interessantes com o Ensino de Português para estrangeiros, tem crescido essa oferta Mas, assim Existe um cenário que é importante a gente entender, que é um cenário histórico do próprio fortalecimento do Português do Português ou do interesse das pessoas de aprenderem português a gente tem alguns fenômenos, dentre eles o fortalecimento do Mercosul E aí, os interesses de instalação de empresas no Brasil, empresas do Mercosul no Brasil a vinda da Copa do Mundo para o Brasil e consequentemente a divulgação da cultura brasileira, através da mídia

Muitas pessoas ficaram interessadas em aprender o Português por conta disso A música brasileira difundida pelo mundo, então novelas, filmes Então, a gente não pode desvincular a língua de cultura Essa divulgação obviamente da cultura brasileira desperta um pouco o interesse também pela língua, fora isso o processo de internacionalização dentro das Universidades A internacionalização não é só receber pessoas, não é só enviar pessoas para outras Universidades do mundo É também receber, e aí tem aumentado por exemplo a quantidade de estudantes estrangeiros nas Universidades brasileiras

Eu cito como exemplo estudantes que vem com bolsas da OEA Organização dos Estados Americanos ou projetos como: o PEC G, PEC graduação, o PEC PG que são programas de Pós Graduação quando os estudantes eles vem através de intercâmbio e precisam estudar a língua tendo a necessidade de estudar a língua portuguesa aqui no Brasil é interessante destacar com essa história do crescimento que o Brasil Nós temos um certificado que é o CELPBRAS o Certificado de Português como Língua Estrangeira é um certificado criado, um exame criado pelo Governo Federal via Ministério das Relações Exteriores que é quem certifica em termos de proficiência, assim como o Espanhol tem o DELE o Inglês tem o TOEFL, o Brasil tem o CELPE-BRAS Então, por exemplo aqui a UFC é um posto aplicador do CELPE-BRAS a gente percebeu, por exemplo uma demanda muito grande nessa primeira aplicação agora em Maio de pessoas querendo fazer a prova do SELPE-BRAS aqui Dentre os inscritos a gente percebeu muito, por exemplo o perfil profissional deles, por exemplo a presença do Mais médicos no Brasil Muita gente mesmo com o fim do programa muitos médicos Cubanos permaneceram no Brasil E aí eles Uma demanda de aprender português de fazer o teste de proficiência do SELPE-BRAS pra poder validar o diploma no Brasil O Brasil é um país grande até pela imigração A gente tem fenômenos históricos agora interessantes interessantes para ser compreendido, mas ao mesmo tempo muito tristes como é a questão da Venezuela esse processo imigratório aí pro Brasil a crise muitos Venezuelanos, nós no nosso curso aqui na UFC temos muitos estudantes oriundos da Venezuela, muitos Cubanos muitos estudantes oriundos de países Africanos, países Asiáticos que estão aqui por diferentes motivações, a gente tem aqui desde grandes empresários, que estão aqui e tem grandes empresas no Brasil a trabalhadores da construção civil estrangeiros, então um público muito heterogêneo Você coordena o Núcleo de Ensino e Pesquisa em Português para estrangeiros, o NUEP

Eu gostaria de saber um pouco mais sobre as pesquisas que vocês fazem lá o funcionamento do grupo Pronto, então com essa criação em 2014 do curso a gente foi estruturando ao longo do tempo e foram surgindo algumas demandas, como eu falei pra você anteriormente a gente detecta, por exemplo a carência de uma formação continuada de professores, então conversando com algumas pessoas bolsistas que participavam que davam aula voluntariamente na Casa de Cultura Portuguesa de português para estrangeiros a gente tinha alguns encontros de discussão de textos teóricos discutir algumas questões, e aí com base nisso a gente identificou uma demanda Nós precisamos sistematizar um grupo de pesquisa pra melhor estruturar algumas demandas que a gente tem, então a gente criou o NUEP E ele tá credenciado hoje aqui na UFC pelo Cnpq como um grupo de pesquisa oficial da Universidade NUEP tem, a gente tem dentro do NUEP hoje são cerca de 35 pessoas participando, dentre eles professores de Universidades dessa Universidade e de outras, estudantes de graduação, estudantes de Graduação e Pós-graduação Nós temos encontros semanais onde parte do semestre a gente tem uma discussão de uma sequência de textos Um encontro semanal as quintas feiras pra discussão teórica mesmo de alguns textos e aí no final do semestre agora a gente tá numa fase de palestras a gente convida alguns professores para falarem sobre temas relacionados ao ensino e a pesquisa de português para estrangeiros Além disso o NUEP realiza encontros semanais de discussão de planos de aula e planejamento de atividades de ensino de português para estrangeiros

Toda terça-feira a gente senta com os bolsistas e tem a discussão de planos de aula os bolsistas sentam, apresentam os planos de aula o que eles pretendem fazer naquela aula, aí a gente tem uma troca de ideias Além disso a gente tem atividades que se estendem além da Universidade e o grande destaque das atividades do NUEP são as aulas de campo nós entendemos que assim, que o ensino de língua ele não deve ficar encastelado dentro da Universidade, então a gente tá vivenciando a língua numa perspectiva imersiva mesmo Então, nós sistematizamos aulas de campo que isso é muito comum na Geografia, por exemplo Mas nós temos Vou citar três exemplos de aulas de campo que o NUEP propõe Uma delas no Centro da cidade, a gente tem uma rota no centro histórico de Fortaleza A gente começa na Praça do leões aí faz Academia Cearense de Letras Museu do Ceará Praça José de Alencar, Cine Teatro São Luis Teatro José de Alencar e Passeio Público Uma das nossas rotas é essa, o que é ? A gente tem uma leitura da cidade a princípio algumas vezes a gente faz com alguns colegas professores de história que é uma leitura da cidade que até alguns cearenses não tem que é passar pela praça do Ferreira e entender a importância histórica as influências e o crescimento de Fortaleza a partir do Centro

A importância que o Centro já teve a questão da Urbanização, do transporte da questão comercial do Centro e tal, a importância de espaços como o Cine Teatro São Luís pra cidade a importância histórica que ele tem e aí o próprio discurso dentro de alguns espaços como o Museu do Ceará e o Teatro José de Alencar tem visitas guiadas e aí ele tem todo um discurso ali que vai dos índios, até a política mais recente Então os estrangeiros estão imersos nesses espaços e aí não só dos espaços culturais, a gente passa por exemplo vai no leão do sul e eles tomam pastel com caldo de cana a gente explica que é uma tradição que é muto cearense passa no centro e tem um cara vendendo seriguela que eles não sabem o que é alguns provam a seriguela e tal é uma questão muito de imersão mesmo Então, é a percepção da cidade diferente, a partir de um olhar Você explica: Olha, aqui é a Praça tal ela tem características tais e tal Enfim, a gente direciona esse olhar Uma outra aula de campo que a gente tem é a da rota do café verde, essa rota foi sistematizada pelo SENAC, ele pegou alguns sítios que produzem o café orgânico no Maciço de Baturité e organizou uma rota Então, a gente leva os estrangeiros pra conhecer um pouco da importância histórica da produção cafeeira pra economia do Ceará

Então, eu falo um pouco da importância da questão da construção dos trilhos e trem pra escoamento do café da serra, certo e aí passa na estação ferroviária de Baturité passa num sítio em Guaramiranga que é o sítio Águas finas, onde eles colhem o café orgânico no meio da floresta e acompanham todas as etapas de produção do café, desde a colheita A gente colhe o café realmente vê o café secando É como os programas de culinária, as etapas estão ali pré-estabelecidas vê o café secando, mas a torragem, a moagem e a degustação do café acontecem la, né E eles fazem isso e visitam também um sítio em Pacoti que é o sítio São Luís

Então, é uma coisa muito legal, nesse dia a gente passa o dia inteiro, inclusive agora 27 de junho a gente tem mais uma atividade dessas A gente passa o dia inteiro com eles e a terceira como exemplo a visita a a povos tradicionais a gente tem a gente já visitou aqui a comunidade a etnia jenipapo Canindé uma etnia indígena aqui em Aquiraz, uma comunidade indígena a gente passou o dia com eles, visitou o museu, fez trilha na comunidade visitou a escola indígena e tomou um banho de lagoa também foi um negócio altamente interessante assim Então, assim a gente tira os estrangeiros desse espaço e quebra também alguns esteriótipos deles porque no aprendizado de línguas estrangeiras com eles vem alguns esteriótipos, então uma coisa que a gente pergunta nos primeiros dias de aula Que imagem de Brasil eles tinham e por que ? e aí sempre vem aqueles esteriótipos do samba, do carnaval, do futebol, enfim E aí assim, ao longo do curso a gente percebe muito obviamente a gente problematiza muito questões sociais a gente tem uma pegada mais assim, numa perspectiva mesmo no letramento crítico dessas questões sociais no Ensino de Línguas estrangeiras Então, não é só não tem como desvincular língua de cultura e não tem como desvincular a língua da abordagem crítica Assim, até tem como mas a gente demarca esse posicionamento ideológico mesmo de abordar a língua com uma leitura mais crítica, entendeu? O interessante dessas aulas de campo é que promove uma troca cultural mais aprofundada né entre os professores, estudantes

É um momento também de interação, nem sempre eu imagino, por exemplo você vai pra um país Eu viajo pro exterior quero aprender línguas, nem sempre as Universidades oferecem isso Então, assim como você falou é realmente um espaço de interação, além do curso ser essencialmente interativo, né Pelas propostas de atividades em sala de aula né Não são aulas expositivas, aulas de línguas pressupõe interação Por trás disso existe uma concepção de linguagem a linguagem como interação, mas assim, realmente são criados espaços onde eles interagem É muito legal Nós participamos, por exemplo de uma atividade de uma semana cultural numa escola pública e foi muito legal uma colega convidou porque eles tinham a semana cultural e aí colocou os meninos no auditório da escola aí eu fui com um grupo de 15 estrangeiros

A gente tinha coreanos, tinha um pessoal da Finlândia e os meninos pediam pra ele falar Falem coreano pra eu ver e o pessoal mesmo sem entender nada eles ficavam perguntando coisas sobre os países, sobre a Finlândia, sobre os estados Unidos e tal E tiraram foto com o pessoal e foi tão engraçado A gente visitou um dia aí teve duas das estrangeiras, uma da República Checa e outra da Coréia que continuaram participando das atividades culturais da escola que para os meninos é muito exótico, assim, ir um grupo de 15 estrangeiros pra uma escola pública e aí eles puderam Muito legal

E para os estrangeiros também né Porque eles conheceram, por exemplo um pouco dessas realidades que a gente não tem em cursos convencionais Então, nossa proposta mesmo é desencastelar sair dos muros da Universidade, enfim ter algumas leituras a gente tá agora um diálogo com alguns alguns equipamentos culturais da cidade pra ter sessões Há possibilidade de ter sessões de cinema pro grupo de estrangeiros e seguidos de um debate algum filme brasileiro seguido de algum debate Então, nossa proposta é essa, né

De sair da Universidade e ocupar outros espaços também OK Por uma questão de tempo a gente vai encerrar eu gostaria de fazer de novo um agradecimento especial a você professor pelo tempo que você disponibilizou Então, prazer Valeu, deixa só eu divulgar aqui as nossas redes sociais Então, no APP as pessoas que tiverem acompanhando e quiserem pesquisar quiserem trabalhar com Português para estrangeiros, seja com pesquisas seja com participação nas discussões ou até mesmo acompanhar as aulas nós temos um site que é: www

pleufcbr aí nós estamos presentes nas redes sociais também Estamos no Instagran: @portuguesparaestrangeiros no Facebook Português para estrangeiros: Língua e cultura brasileira Então, as pessoas nos encontram nesses espaços ou pelo e-mail: [email protected]

br OK Obrigado a você, obrigado ao TECLE pelo convite

h i s t ó r i a ► Iraque. O impacto das sanções. [Legendas em Português]

Ouvimos que meio milhão de crianças morreram Isso é mais do que o número de crianças que morreram em Hiroshima

Vale a pena pagar o preço? Eu penso que é uma escolha muito difícil Mas o preço, Nós achamos que vale a pena pagar o preço! "Castigar Saddam" Half a million children

Conheça o curso Português Total 2019 – Para quem está começando a estudar agora!

Você está iniciando seus estudos para concurso público? Então, já percebeu que uma disciplina que normalmente é comum a todos os certames é a disciplina de língua portuguesa e é justamente sobre isso que eu estou aqui pra conversar com vocês Eu sou Professora Flávia Rita, trabalho com língua portuguesa há mais de 15 anos, tenho alguns livros publicados, já aprovei milhares de alunos e tenho condições de ajudar você também a ter o seu nome na lista dos nomeados porque só ser aprovado não adianta hoje não, né? Bom, para isso, a minha indicação para quem está iniciando seus estudos é o PORTUGUÊS TOTAL

Um curso começando do zero Que vai permitir ao aluno adquirir consistência necessária e a constância dos estudos para gabaritar uma prova de língua portuguesa E se você, ainda, não conhece a minha metodologia, eu tenho certeza de que ela vai ajudá-lo a alcançar os seus resultados, eu convido você a iniciar GRATUITAMENTE a turma do Português Total conosco! Assista a algumas aulas sem custo algum!

(Espinosa) O lugar onde vivo – Conversa com a Rua – Olimpíada de Língua Portuguesa 2019

Olá pessoal, Este é um vídeo-crônica muito especial, pois foi feito à pedidos; e é direcionado a uma galera importante pra mim: às e aos estudantes espinosenses, especialmente aos alunos da Escola Estadual Comendador Viana, uma escola do coração, da qual fui aluno na minha infância, e que me influenciou enormemente a ser a pessoa-cidadão que sou hoje Agradeço o convite feito pelas amigas Jânia e Anézia, professora de português que, juntamente com as professoras Ana Carla, Renata e Rita, vão conduzir oficinas em preparação para as Olimpíadas de Língua Portuguesa

Ali os alunos irão desenvolver o tema “O lugar onde vivo”, que “tem como objetivo lhes propiciar estreitar vínculos com a comunidade e aprofundar o conhecimento sobre a realidade local" É um prazer e uma honra poder contribuir Espero que gostem e que possam tirar algum proveito Se gostarem do vídeo, lembrem-se de curtir e compartilhar Inscrevam-se no canal, enviem seus comentários e contem comigo nessa jornada com as palavras, a comunicação, as histórias, os sonhos e a realização

Desejo foco, inspiração e sucesso para vocês Foi à tardinha, que conversei com a Rua, pois, de certa forma, não havia outro ninguém com quem Também pela familiaridade e porque o sol já estava frio Ninguém aguenta bater papo debaixo de sol quente em Espinosa; melhor à sombra das Gameleiras do Comendador, dos Fícus da Praça ou de arvoredo que ainda sobrou na beira do Rio Verde; ou então esperar o friozinho acanhado das manhãs de inverno, que aí o sol fica pianinho pra uma conversa boa Mas foi à tardinha

E nem sei se posso chamá–la de Rua Pelo conhecimento de longa data, talvez posso tratá–la carinhosamente por “Ruazinha”, ou até “Ruainhazinha”, já que no ‘Nordimimas’ a gente tem essa mania de duplicar o diminutivo, transformando pequeninho em pequenininho Ou ainda, chama–la até de Beco, por sua finura e curteza, mas esse termo, já o usaram tanto para fazer desfeita às vielas – Beco dos ‘Bêbo’, do Rato, do Maribondo, e por aí vai – que até magoa Talvez seja melhor deixar o título pra lá, pois, quando conversei com ela, nem pensei em nome, só soltei o verbo, assim como a gente faz com os íntimos Mas, pra não fatigar sua curiosidade, o nome que deram pra rua do fundo da minha casa foi “Osório Salgado”, um senhor que – perdão aos familiares – por meu parvo interesse e desvairada imaginação, neste caso particular, não passaria de um mascate que vendia tudo pela hora da morte, ou talvez um marido cuja esposa exigente vivesse a lhe lamber a carcaça suada antes de manda–lo tomar um banho

Pois bem, conversei com a Rua E foi mais ou menos assim: – Como é que ‘cê fez pra virar rua? – Como assim, menino? – ela retrucou – Não é assim, como você ganhou o título de Rua, sabe? Quero saber é como é que você surgiu do nada, do meio do mato que devia haver aqui? – Ué – me respondeu um tanto alheia, cansada da minha pergunta comprida e olhando para uma meia lua perdida no alto do céu, como se tivesse me mostrando seus interesses elevados – primeiro, abriram trilha no meio do mato, nessa urgência que as pessoas têm de ir de um lugar pro outro, procurando novidade, depois voltando pra contar pros que ficaram, depois retornando pra proteger o achado, depois voltando pra buscar apetrecho, retornando pra trazer parente, e assim num constante vai–e–vem típico de gente indo atrás de gente Logo, virei caminho de terra batida, depois estrada Não demorou, me cercaram de um lado e de outro

E num instante ergueram a primeira casa – Sim’ – a interrompi, pois vi que quem estava encompridando mesmo era ela que já tinha me dado um bloco inteiro de palavras – mas por que você não parou por aí e permaneceu uma casinha branca à beira da estrada encostada em um flamboyant, como na pintura lá de casa? – Porque o povo tem essa premência de ir se juntando um ao lado do outro, talvez por solidão, ou buscando conveniência, de troca–troca, de amparo, de proteção, de prosa e até de bisbilhotice, né?’ Tomei o “né” como uma censura e me calei Desci da escada onde estava sentado e fiquei de pé nos paralelepípedos, meio emburrado, olhando para a minha fachada preferida

– Não vai perguntar mais? – me surpreendeu, ela – Perguntar o quê? – fui desatando minha careta – Qualquer coisa; gosto das suas palavras – essa sua atitude, de vir dialogar comigo’ – Também gosto das suas – o afeto saltou à minha tona – Sabe? Te acho muito bonita; as diversas formas e cores nas fachadas, os muros e esquadrias de todas as idades, o quarteirão comprido aprumando as perspectivas, sua largura aconchegante do tamanho da gente, combinando com as calçadas estreitas, imitando passarelas por onde ocasionalmente vêm desfilando espinosenses, que sempre cumprimentam a gente ao passar; gosto dessa proximidade que você propicia, e gosto das escadas altas, como arquibancadas

E ainda caio de amores por este tesouro de fachada neoclássica, com direito a colunas, capiteis e frontão, que aproxima toda a distante fantasia das histórias infantis que escolheram nos contar’ A rua abriu um sorriso largo, por onde comecei a caminhar até percorrê-la por inteiro, verificando cada palavra expressada O tempo passou, e sempre que volto, bato um papo com as ruas de Espinosa Nunca me esqueço daquele colóquio: – Gosto das suas palavras – Também gosto das suas

Revivo a pujança que as palavras nos dão As fachadas das ruas de Espinosa estão cheias de palavras Basta olhar, apreciar, questionar, imaginar Na verdade, estão por todo o lugar Espinosa é palavra, você é palavra, eu, nós somos palavras, o mundo é palavra Delas somos ricos, multimilionários Através delas temos tudo Tenho Espinosa e as ruas, tenho o Comendador e a lua

É verdade que também tenho a distância, tenho a falta e a saudade Contudo, tenho força, movimento, ação, busca, companhia – palavra esquecida por cidadãos desatinados, como reclamou, a pequena via Então – faço questão – tenho vocês, caros conterrâneos, e nossa língua mãe, o adorável português E sobretudo, a liberdade, que as palavras me oferecem Com elas, vou ao seu encontro, de mente e peito aberto, pronto; me pergunto, quem são vocês, quais os seus mistérios, suas histórias e sonhos, quais palavras vislumbram em seus dotes particulares, combustível para inúmeras viagens? Sim, pois articulando palavras, me direciono a vocês, envio minha mensagem na garrafa, no grande mar do sertão

Quem a resgatará? Entenderão, se identificarão? Pois dúvida também é palavra, assim como incomunicação E o silêncio, com que vos deixo, que é falta de som, mas não necessariamente de palavras

O que é Linguagem? – Resumo para o ENEM: Português | Descomplica

00:00 – Português Aline Bello Linguagem 00:15 – Olha para uma nomenclatura da prova do Enem, percebemos que a prova é chamada de linguagens, código e suas tecnologias Desse modo, o Enem valoriza o aluno que está ligado com a sociedade em que ele vive

Essa Os valores de língua, linguagem e sua aplicação na sociedade 01:10 – A prova é ver se o aluno é capaz de detectar os eventos que acontecem com língua portuguesa Nós temos o padrão padrão que é denominado padrão de referência ou cultura que é prescrita pela gramática normativa da língua portuguesa 01:30 – No entanto, na rua os humanos não usam uma língua semper na norma culta O Enem vai 02:00 – Uma linguagem diferente de expressão verbal ou não verbal Tipos: Verbal – Construídas por meio de palavras

Não verbal – Construída via de símbolos não verbais como imagens, cores, gestos Mista ou híbrida – Mistura das duas anterioresExemplo: Encargos

02:50 – Outro conceito de extrema importância é o de língua A língua é o tipo de linguagem verbal que é utilizada por uma determinada comunidade O que nos importa é uma variação que acontece na sociedadeNós, não utilizamos sempre uma norma cultaNo dia-a-dia utiliza uma linguagem coloquial

COMO APRENDI O PORTUGUÊS | Libras

A maioria de vocês me perguntou se foi eu quem criou as legendas nos vídeos se foi eu quem respondeu os seus comentários, etc Muitas dúvidas sobre esse assunto, né? Neste vídeo vou responder essas questões e contar um pouco sobre minha experiência com a língua portuguesa

Vamos lá Para quem não sabe nada sobre mim Eu nasci e cresci surdo Como na década de 90, não tinha muita informação sobre Libras muito menos Surdez a primeira língua que eu aprendi foi o português que minha mãe começou a me ensinar aos 3 anos aprendi oralizar com o uso de aparelhos auditivos mas eu não tinha noção dessa língua por isso acabei não me desenvolvendo como uma criança ouvinte eu não ouvia o som produzido pelas palavras então não conseguia reproduzir com exatidão Eu só decorava as palavras e falava que nem papagaio não sabia seus significados não conseguia me expressar com frases espontaneamente mas mesmo assim continuei decorando várias palavras Aos 7 anos, quando aprendi a Libras comecei a entender o português com a ajuda da Libras por exemplo, a professora de Libras apresentava a palavra em português "CHORAR" e em seguida sinalizava em Libras essa palavra e assim por diante, então só dessa forma eu consegui entender melhor a língua portuguesa Depois comecei a estudar conjugação do verbo (passado, presente, futuro, etc) as classes gramaticais do português e até aproximadamente uns 12 anos continuei sem entender a estrutura da língua não entendia como formar uma frase certa de acordo com a gramática Por isso, acabei escrevendo tudo confusão a maioria das pessoas nem conseguia entender o que eu queria dizer Por exemplo

O resultado disso foi que comecei a sofrer bullying por ser chamado de “burro” na escola Meus colegas não entendiam a minha condição E, como eu me tornei fluente em português? Bom, eu não sou fluente, mas conheço o suficiente para me comunicar e como eu consegui isso? Graças às tecnologias digitais! Na época passada eu usava muito o MSN acessava todos os dias depois que chegava da escola só usava para bater papo com meus amigos virtuais (ouvintes) e alguns (ouvintes) que moravam na mesma cidade que eu que não sabiam Libras

Continuei escrevendo tudo confusão ainda Ah, quero agradecer muito a eles pela paciência comigo ficamos horas conversando até madrugada, coisas de adolescentes Aos 16 anos

Num certo dia fiz uma pergunta para minha amiga: mais ou menos assim Daí ela respondeu indiretamente como se quisesse me corrigir Logo me atentei a entender conjugação de verbos percebi que eu estava errando o tempo todo Corri para minha mãe e mostrei frases que fiz para ver se eu escrevi certo ela orientou e me ensinou como escrever corretamente A partir disso, vivia aprendendo mais voltei a estudar as classes gramaticas etc Até hoje não sou fluente como já mencionei mas estou sempre estudando e aprendendo, um dia eu chego lá, né mesmo?! Agora respondendo as perguntas de vocês Gente, sou eu sim quem escreve os roteiros dos vídeos e as legendas feito isso envio para a assessoria [ouvinte] do canal para alguns ajustes Quanto aos comentários esses eu respondo totalmente sozinho, sou só eu e vocês

Quero lembrar que não sou professor de português, estou aqui pelo diálogo, okay? Os surdos não conseguem aprender os conteúdos padronizados na escola têm mais dificuldade do que ouvintes isso já foi mostrado na minha história de vida Então para ensinar e estimular os surdos a se desenvolverem o professor de português precisa observar os surdos no dia a dia saber seus costumes, interesses, assuntos, gostos pessoais, objetos reconhecer as diferenças linguísticas etc Todos os surdos se bem instruídos aprendem como qualquer um vale lembrar que não se trata de dificuldade intelectual e sim de oportunidade! Quem é [email protected] de surdos por favor, compartilhe a sua experiência de ensinar o português aqui com a gente sugestão ou dicas aqui nos comentários É muito importante essa troca de informações!!! Por hoje é isso, espero que vocês tenham gostado do vídeo E não se esqueçam de clicar no “GOSTEI” que me ajuda muito e compartilhem

E mais uma coisa estão participando do sorteio? Quero ver todo mundo lá, hein? E, agora nossa aulinha de Libras em um minuto Semana que vem vai ter uma novidade muito legal para quem quer aprender a Libras e alcançar a fluência fiquem de olho no meu Instagram Vamos lá aprender os sinais de hoje Muito obrigado pela atenção!!! Até o próximo vídeo!!!

O maior ERRO que os HISPANO HABLANTES cometem ao falarem português.

Oi pessoal, tudo bem? bom dia, boa tarde, boa noite! Como é que vocês estão? Espero que todos estejam bem O vídeo de hoje é especial para quem é falante de espanhol pois eu tenho percebido que mesmo os alunos avançados ainda cometem esse erro de português Vocês sabem que eu dou aulas para diferentes nacionalidades, mas dentre elas hispanoblantes também

E sempre tenho notado um errinho muito comum entre todos eles que eles nem percebem, nem percebem que estão fazendo Mas vamos corrigir isso porque eu acho que durante todo o período de aprendizagem eles não aprenderam, ninguém corrigiu, mas é importante, tá bom, porque é diferente do português E eu sei que vocês buscam a perfeição que vocês querem falar exatamente como a gente, então vou corrigir pra vocês Eu já fiz outros vídeos, vou deixar aqui alguns links para vocês, especial para hispanohablantes Que tem assuntos diversos de erros ou dicas justamente pra quem é falante do espanhol que tem essas mesmas dificuldades

Então, o problema está o uso dos pronomes NO e NA quando se refere a tempo Como assim? Bem vamos começar um pouquinho de gramática, retomar um pouquinho da gramática "Ah professora não gosto de gramática" A gramática às vezes é necessária, às vezes nós precisamos dela pra ter estrutura, para conhecer a estrutura da língua, ter um bom alicerce e aí fazer um conhecimento forte Então, o NO e o NA em português é o que ? É a junção do EM + O EM + A só que às vezes nós utilizamos isso de maneira que não faz muito sentido

E principalmente para línguas tão próximas como português ou espanhol às vezes não dá para entender porque que é diferente Então vamos para o primeiro exemplo Isso é em espanhol OK Como que fica isso em português? Em português nós vamos dizer: Perceberam? Agora o segundo exemplo

Viram a diferença? Então é necessário quando nós estamos nos referindo a dias da semana, fins-de-semana, semana com esse NO ou NA que é diferente do espanhol Quer ver um terceiro exemplo? Deu pra ver a diferença? É, isso é português Mas tem que prestar atenção porque então a gente sempre vai usar esse NO ou NA Mais um exemplo pra finalizar Então vocês vêem que não dá para somente traduzir do espanhol para o português que nem sempre funciona igual

Não tem alguns detalhes que são diferentes Então, vamos retomar Acontecimentos, coisas que acontecem num período, num certo período, nós vamos utilizar NO e NA Então, 'na semana passada", "no fim de semana", " no dia 20", " no dia 15", " no domingo", " na segunda" Mas, às vezes, nós utilizamos somente com o artigo O ou A

Quando que é esse caso? Agora complicou porque às vezes nós usamos Por exemplo, eu digo assim Então, pegando esses exemplos o que é que dá pra concluir com isso tudo? Quando usamos com o verbo SER, então nós vamos utilizar os artigos O ou A Perceberam então a diferença? Então, quando nós produzimos alguma ação então quando tem uma ação eu vou usar NO ou NA Quando eles é que estão sofrendo uma ação ou enfim eles estão carregando este verbo SER, aí é o O ou A que nós vamos utilizar Bem gente, eu espero que essa dica ajude vocês, se vocês gostaram deem um "like"para mim, compartilhem o vídeo para que todos possam saber disso também e se vocês querem mais ajuda, não deixem de clicar no link aqui abaixo do vídeo

Aula 1 – O que é Português Como Língua de Acolhimento? Questões iniciais.

Olá! Sejam bem-vindos ao meu canal Meu nome é Ana Paula de Araújo Lopez eu sou doutoranda em Linguística Aplicada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Eu estudo a área conhecida como Português como Língua de Acolhimento que é, (vou falar a grosso modo, tá?) ,o ensino de português para imigrantes deslocados forçados ou seja aqueles imigrantes que chegam ao Brasil por meio de processos deslocamento forçado ou de crise, como os refugiados, por exemplo Esse vídeo tem o objetivo de explicar um pouquinho mais sobre esse conceito, sobre essa área de pesquisa e de ensino e ajudar você que se interessa pelo tema a iniciar seus estudos na área, tá bom? Vamos lá, então? O Português como Língua de Acolhimento é uma ramificação da área de português como Língua estrangeira (PLE) ou Adicional (PLA) Basicamente, o que diferencia o português como língua de acolhimento de outros contextos de ensino dentro do escopo do PLE ou Adicional é mesmo o público alvo e os objetivos do do ensino e da pesquisa nesse contexto Aí você deve estar se perguntando: – "Mas, Ana, então quer dizer que todos os estrangeiros que eu dou aula, cada grupo sendo diferente, tendo objetivos diferentes, então eu vou ter que criar um nome pra todos esses contextos?" Bom, não é bem assim! Na verdade, a gente tem um nome específico, Português como Língua de Acolhimento – que aqui nós vamos chamar de "PLAc" só pra facilitar – justamente porque nós estamos tratando de um grupo minoritarizado no país e, somente para fazer um parêntese, eu vou explicar um pouquinho o que é minoritarizado para que vocês entendam que estou querendo dizer "Minoritarizado" é um termo que eu escolhi utilizar no lugar de "minoria"

Também não é usado num sentido demográfico, ou seja, para se referir a um grupo composto por poucas pessoas em comparação a um grupo maior de pessoas Usar "minoritarizado" no lugar de "minoria" é uma escolha para enfatizar que isso é uma consequência de processos sociais, históricos, econômicos, políticos que levaram esse grupo a estar nessa condição, isso é, ocuparem uma posição em que estão destituídos de certos direitos e/ou estão em relação de desvantagem perante outros grupos de imigrantes

Apesar de ser algo muito complexo, porque é um fenômeno social com todas as suas complexidades, eu vou tentar me arriscar aqui efalar um pouquinho porque o grupo composto pelos imigrantes deslocados forçados estão em certa desvantagem social em comparação com outros grupos de imigrantes no país Isso acontece principalmente por dois motivos: Primeiro: pelos processos de migração dessas pessoas E segundo: pela vulnerabilidade, advinda tanto desses processos, quanto de outras questões Primeiramente, no que diz respeito ao processo de migração: os deslocados forçados, como os refugiados e imigrantes ecológicos, eles são, geralmente, motivados a migrarem por outros motivos motivos "mais fortes" – se a gente pode chamar assim – do que turistas, por exemplo Então,eles chegam ao país de destino muitas vezes sem um projeto prévio de migração, sem muita elaboração desse projeto

Não entenda mal: claro que eles têm um pequeno projeto – se a gente for pensar, por exemplo, nas pessoas que ainda estão deslocadas forçadamente dentro de seus países em diversos países do mundo – mas, muitas veze,s isso é diferente é decorrido (decorrente*) de alguma coerção um pouco mais forte que leva essas pessoas a terem que se migrar – e não simplesmente o fato de querer fazer uma viagem ou de aprender um novo idioma ou simplesmente ir trabalhar num outro lugar porque recebeu uma oportunidade de emprego, por exemplo E a vulnerabilidade social dessas pessoas advém justamente do fato de que muitas delas podem ser que enfrentam problemas econômicos, problemas, às vezes, psicológicos advindos desses mesmos processos de migração forçada então eles têm uma certa vulnerabilidade – que também não é igual pra todos, é importante a gente falar isso né – é porque a gente tem que considerar também quando estamos falando de vulnerabilidade, diversos fatores que influenciam, por exemplo, o gênero da pessoa, a religião, a etnia, né, a aparência física (você já deve entender o que estou querendo dizer) mas, no geral, os imigrantes deslocados forçados podem ser considerados mais vulneráveis e, portanto, um grupo minoritarizado justamente porque eles têm um pouco menos de direitos, né, eles têm que reafirmar a sua identidade o tempo todo justamente porque também é uma identidade muito controlada por legislações internacionais, né? Então eu estou querendo dizer é que esse grupo ele é minoritarizado devido a essas questões Então, se a gente tem um grupo que tem demandas um pouco mais, vamos dizer assim, "sérias", talvez por não terem/não serem vistos da mesma forma pelas outras pessoas muitas vezes serem mal interpretados – a gente acompanha na mídia pela fala dos imigrantes como eles, às vezes, são indesejáveis no país não tanto quanto outros imigrantes que aqui vem, né, principalmente de países mais ricos e mais desenvolvidos Então, nesse contexto todo, a gente marcar área de Português como Língua de Acolhimento é uma estratégia dos pesquisadores da área e dos profissionais também para marcar esse contexto, para visibilizar essas pessoas, a situação dessas pessoas, e também como um ato político de marcar o contexto de ensino para uma minoria (composta) de imigrantes no país Então, gente, pra terminar – porque eu falei demais nessa nossa primeira aula – eu queria deixar aqui somente alguns lembretes, alguns pontos importantes para vocês pensarem nas pesquisas futuras e também se forem desenvolver aulas, cursos ou forem trabalhar com imigrantes

Então é importante, em um primeiro momento, a gente sempre reconhecer que esse grupo é heterogêneo; eles têm processos de deslocamento que são forçados ou de crise mas nem por isso todos têm a mesma demanda, obviamente, nem todos têm as mesmas necessidades e nem todos têm os mesmos objetivos, né? Então a gente tem que pensar também, e parar de reproduzir esse discurso de que o português é uma obrigatoriedade para eles e que isso é que vai causar que o imigrante ascenda socialmente no país, porque a gente não pode prometer isso além do mais, pode ser que o lugar onde esse imigrante vá viver no país outras línguas sejam mais importantes que ele aprenda, né, como quem vai viver em área de fronteira ou em comunidades que falam outros idiomas no Brasil, né considerando que a língua portuguesa é a língua oficial, a língua majoritária no nosso país, mas não é única, né? Em último lugar, como é um grupo minortarizado, o ensino para essas pessoas, ele tem que seguir, a nosso ver, três pilares importantes – aqui nós estamos nos baseando em uma pesquisadora que é a Terezinha Maher Eu vou deixar o link aqui embaixo do texto dela Os três pilares são: a politização desses imigrantes, né como é um grupo minoritatizado eles têm que saber dos seus direitos e de seus deveres e tudo isso, gente, na sala de aula de português mesmo e, em segundo lugar, a educação do entorno, ou seja das pessoas que estão ao redor desse imigrante porque não adianta de nada o imigrante reconhecer seus direitos mas a população ao redor dele não ajudar, a validar esses direitos, não reconhecer como legítimos, né e aí, claro, que a capacidade de atuar ou de acesso a esses direitos fica cerceada se o entorno desse imigrante – as pessoas que estão ao redor – não têm conhecimento desses direitos também e não legitima esses direitos Tá, bom? Então como que a gente faz isso no nosso curso de português? Pode ser com algumas atividades – atividades simples, como eu fiz quando eu trabalhava com esse tipo de imigrante em Belo Horizonte (MG) Nós fazíamos

nós fizemos uma vez um projeto que deu muito certo que foi o "amigo de carta" – que eu, numa aula ensinando localização para os nossos alunos (endereços e coisas assim) a gente fez um projeto de "amigo de carta" Eu escolhi alguns amigos meus na universidade que eu estudava e eles eram amigos de carta dos imigrantes Aí um contava a vida dele para o outro

Isso é um projeto super simples que dá para você fazer na sua sala de aula E aí esses outros amigos meus tiveram contato com esses imigrantes inclusive tiveram oportunidade de perguntar coisas que eles tinham dúvida sobre os processos de imigração/sobre quem são essas pessoas Outro projeto interessante, pode ser uma uma peça de teatro e ou ainda projetos como o "Abraço Cultural" que acontece em São Paulo (SP) (que eu também vou deixar o link aqui embaixo) e, claro, é importante falar que esses projetos podem ser projetos assim como feiras e questões "mais superficiais", vamos dizer assim mas também é sempre bom que haja espaço para debates, espaço para que essa população entre em contato com essas pessoas [imigrantes] e, sim, se acrescentarem mutuamente para desenvolverem um conhecimento de si próprios e desse outro, né, que está aí É um processo de educação desse entorno mesmo, tá? E o último ponto, de acordo com a pesquisadora, a Maher (2007), seria avanços na legislação – que sempre têm que haver já que é um grupo minoritarizado Mas, você deve estar pensando, "mas eu não consigo fazer isso na minha sala de aula, eu não consigo criar leis!" Realmente, a gente não consegue, mas, eu tenho certeza que politizando nossos alunos, educando a sociedade que está ao redor dele para conviver com essa diferença, respeitando e legitimando os direitos desses imigrantes isso, sim, vai levar com que o próprio imigrante e as pessoas ao redor "empurrem" o Estado para promover leis benéficas, mais adequadas e benéficas para essas pessoas, tá bom? Bom, pessoal, nós vamos ficar por aqui hoje espero que vocês tenham gostado do vídeo – foi um vídeo bastante introdutório mas espero que deixe aí para vocês vocês pensaram, para vocês procurarem saber mais Estou aberta a comentários, a perguntas, qualquer coisa deixe seu comentário aqui curta o nosso vídeo e até a próxima!

Como o INTÉRPRETE EDUCACIONAL Pode Ser a Ponte que conecta LIBRAS e LÍNGUA PORTUGUESA

Qual a relação entre, o Intérprete educacional ficar de pé na hora da tradução e da interpretação e a língua portuguesa? Olá! Parece estranho (não é?) haver alguma relação entre:estar de pé, durante o processo de tradução e interpretação para o educando surdo e a língua portuguesa (!!!) Mas eu vou te mostrar o raciocínio da coisa, para você entender: Eu sou uma defensora de que, o intérprete educacional deve se colocar de pé e de frente para o aluno surdo, quando ele vai traduzir e interpretar as aulas Também sou defensora de que, esse posicionamento deva ser paralelo ao professor

Hoje, a gente vai focar nessa relação entre interpretar de pé, de frente ao educando surdo e a língua portuguesa Se você está de pé, paralelo ao professor, ou à professora, o aluno está podendo ver a tradução e interpretação que você faz e está podendo ver o professor Ok, tudo bem! O aluno surdo, não é visual? Sim ele é visual Se ele é visual, ele precisa do concreto, para entender correto? Por que? ELE NÃO ESCUTA! Então, ele precisa VER! E, no quê ele vê, as coisas estão concretas ali, se apresentando para ele

Ok? O Intérprete vai traduzindo de uma língua para outra, enquanto o professor está dando a aula, mas ele também está INTERPRETANDO aquela aula Durante o processo de interpretação, dentro da sala de aula o intérprete é: um adjetivo; uma célula; é uma personagem de uma história; ele é vários personagens de uma história; ele é uma lâmpada; ele é uma montanha; ele é um cavalo; ele é uma barraca de acampamento; ele é um tapete; ele é uma caixa de lápis de cor – durante a interpretação! Porque nós, o nosso trabalho, consiste num processo neurológico, de traduzir de uma língua para outra, mas também num processo de expressão facial e corporal, certo? Quando a gente junta, a tradução e a Interpretação dentro da sala de aula, o aluno está olhando para você, enquanto o intérprete, e está assistindo de verdade aquela aula, porque ele olha para o professor muitas vezes, para complementar, aquilo que ele está vendo aqui, você está traduzindo, mas você também está interpretandoEntão, ele está envolvido ali com aquilo! Não importa qual é a disciplina; importa o envolvimento dele, porque ali está uma somatória, tanto de tradução do que está sendo dito, como de interpretação, ok? Aí terminada essa explicação; terminada a tradução e a Interpretação, normalmente, os professores dão alguma atividade, dão algum exercício, para que eles façam E normalmente, essas atividades são escritas Normalmente, não é? E aí?!? O aluno tem dificuldade com a língua portuguesa, entretanto, se você traduziu, se você interpretou nota “1000”, ele entendeu, ele está por dentro do conteúdo

Aí vem lá as perguntas Você vai ter que, de novo, traduzir para ele as perguntas, porque ele tem extrema dificuldade com a língua portuguesa – a maioria deles, tá a gente? Não tô falando das exceções que dominam legal, tô falando da maioria – que tem extrema dificuldade E aí conforme você vai traduzindo as atividades que têm que ser feitas, ele vai associando: -Hummm…’ o rei, o nome daquele rei lá que, a professora falou na explicação’: ah esse ‘cara’ aqui – ah ele é um homem; é uma mulher; ah, o nome dele é tal! GUARDOU! PRONTO! Por mínimo que seja, o conteúdo em língua portuguesa, que ele consegue GUARDAR é mais do que nada! Por que? Porque, sem querer, sem planejar fazer isso, ele consegue associar a explicação que o professor está dando, a tradução e interpretação que, o Intérprete está fazendo, enquanto o professor está explicando e o conteúdo escrito em língua portuguesa: um texto no livro que ele vai ler, ou as atividades que ele vai responder, está lá, está tudo vinculado e aí, ele vai dominando as palavras – algumas palavras!!! Entendeu o porquê que, eu sempre falo de ficar de pé? Porque se, você se coloca ao lado, sentado ao lado do educando surdo, para traduzir e interpretar vamos supor que você está aqui e o professor está aqui; você está ao lado do aluno surdo, você não está paralelo ao professor Então, ele vai olhar para você e vai perder o professor Você acha, que ele vai perder o professor? não vai! Ele vai deixar você falando, para ele olhar para o professor! (como eu já mencionei isso em outros vídeos,, aqui no canal) Então, você no paralelo, ele já está vendo os dois: intérprete e professor -juntos Aí vem a atividade escrita; Você traduz para ele, porque ele tem dificuldade com a língua portuguesa; aí na atividade fala o nome da célula que, o professor explicou; Ele olha aquilo… -A célula! Humm a célula, hamm o nome da célula é tal! Ou do rei , ou seja lá da disciplina que for! Entendeu?!!! Então… É importante, você refletir sobre essa minha sugestão que dou: “Traduzir e interpretar em pé e de frente ” principalmente dentro da escola, porque é lá onde o aluno surdo passa uma boa parte do tempo de vida dele e é ali, o grande celeiro de oportunidade, para ele poder fazer essa associação entre o concreto, o visual e a palavra escrita – a modalidade escrita a qual, ele tem tanta dificuldade! Você faz a sua parte, dentro de sala de aula; aí esse educando vai para a sala de recursos – as professoras da sala de recursos também dão lá o reforço; aí, ele vai para casa e faz parte de uma família consciente, da necessidade de dominarem a libras, para poderem ter uma comunicação mais efetiva e mais producente, com o familiar surdo e então, ele vai ‘lincando’ tudo! E as chances desse aluno surdo aumentam exponencialmente, tá? Tá! Tudo bem! Eu estou sendo otimista! Ué, mas a gente pode acreditar numa coisa assim, porque, de verdade, ele vai à escola todo dia – você está lá atendendo ele, todos os dias; De verdade, ele vai à Sala de Recursos não sei quantas vezes por semana – isso também é, outra realidade

A questão da família: algumas já têm essa consciência, outras ainda não, mas a gente vai fazendo um trabalho de formiguinha, até que um dia, essa consciência expanda e fique bem! Mas se não tem ainda, com a família, pelo menos dentro de sala de aula, você está fazendo o seu possível, para contribuir, para colaborar com esse educando surdo, para que ele tenha autonomia, não é? Porque ele não vai estar com você, 24 horas do dia e o mundo é feito de escrita, a comunicação – grande parte é escrita e quem perde é ele, quanto menos ele sabe, da língua portuguesa Ok?! Então é isso! Espero que o vídeo de hoje ajude você a refletir muuuuuuuito, durante os próximos dias a respeito da sua colocação em sala de aula, enquanto intérprete educacional, Tá bom?! Muito obrigada, por você ter ficado comigo até aqui e a gente se encontra no próximo vídeo! Até lá!