Museu da Língua Portuguesa na Bienal do Livro Rio

A língua materna é a nossa identidade E é isso que é trabalhado nessa apresentação brilhante, que eu realmente fiquei apaixonada, do Museu da Língua Portuguesa

As pessoas chegam aqui, elas, a princípio, pensam que é só a instalação, mas, quando elas vão conhecendo outros espaços, vão conhecendo as palavras que nos vestem, né, vão conhecendo que a gente, o tempo todo, abre as nossas gavetas no dia a dia e não sabe a origem da palavra boné, não sabe a origem da palavra chapéu, cachecol Então, elas vão descobrindo isso junto aqui com a gente, de forma muito natural, de forma muito leve Que a ideia é essa mesmo É trazer a língua portuguesa de forma bem leve porque está no nosso dia a dia, né, não tem como não falar dela Ah, eu posso desenhar, escrever o que eu sou

Eu me desenhei Eu botei minha cara de verde e botei, aqui, o que eu sou, que eu sou bastante legal Fiquei muito emocionado, gostei muito do que foi produzido lá dentro Achei muito gratificante as vozes, pessoas conhecidas falando sobre obras tão marcantes E toda produção audiovisual tocou muito

É muito gratificante, de verdade

Museu da Língua Portuguesa no Festival de Rua Que Bom Retiro

O Bom Retiro é um bairro multicultural Ele é um bairro que, historicamente, foi recebendo camadas de imigrantes

O Museu sempre procurou fazer parte da vida desse bairro A gente traz esses jogos para que as pessoas parem e percebam como é que a língua se constrói todo dia Fazer as pessoas refletirem sobre a origem das palavras, das expressões, faz uma ponte com a história que se passou aqui, no Brasil e na cidade de São Paulo Você tem muito paulista Onde eu moro, todo mundo fala "ôxe"

– O pessoal fora, não sabe usar Fora de Salvador não sabe usar direito, que era o "lá ele"

– "Lá ele" É! – Hoje em dia, nem usam tanto mais – "Lá ele" Tem vários significados, "lá ele" "Desabestado", uma pessoa que não consegue fazer nada certo

– Já ouviu falar nessa língua? Quicongo é uma língua africana – Esse é um jogo chamado piquenique de palavras Acho que chamar a atenção do povo sobre a leitura Porque a leitura é uma maneira de você conhecer e saber discernir o certo do errado E você também conhecer outros lugares sem estar lá

É bem legal A gente tava assim, eles descobrindo as nossas expressões regionais – nós somos de Salvador -, e a gente também descobrindo algumas expressões regionais aqui de São Paulo Coisas que a gente vê ali, que eu não fazia a mínima ideia do que é, e aí a gente vê que a gente usa aquilo de outra forma Acho isso bem interessante, né? É, então, as transformações, as mudanças regionais que tem das palavras É uma língua falada em vários países da África, no Brasil, em Portugal, com alguns dialetos diferentes, e é a cultura do povo brasileiro, né? Tem, ali, uma série de informações, mas que elas despertam, em você, a reflexão, a lembrança de outras palavras, ou que você ouviu de seus pais ou de outras pessoas, de outros lugares do país

Então, é uma troca, assim estimula, né? O mesmo o princípio do Museu continua vivo aqui, né?

Museu da Língua Portuguesa na Festa Literária das Periferias – FLUP

Sejam bem-vindos Para nós, do Museu da Língua Portuguesa, é uma coisa muito gostosa estar aqui, no meio da FLUP, com todos esses jovens que trabalham a palavra de uma maneira tão criativa

O Museu da Língua Portuguesa sempre tratou da língua viva, da língua que a gente constrói todo dia, de que somos todos autores de língua portuguesa, não é? Eu acho que a batalha de poesia, o slam, ele é um representante dessa produção literária falada Dessa língua viva "[] o público que vinha das ruas sujas de Atenas" "[] a saída do teatro, a manhã nas ruas, as coisas corriqueiras

" "[] indicam que algo sagrado está para começar" Acho muito importante a difusão, a multiplicação de experiências que lidem com a língua portuguesa de forma democrática, de forma aberta, de forma a não afastar as pessoas da língua, mas trazê-las pra dentro da língua portuguesa

A gente, então, organizou, junto com a FLUP, esse sarau de abertura que possibilitou a vinda de vários poetas Então são poetas do Brasil inteiro Tem gente de Minas, tem gente de São Paulo, do próprio Rio de Janeiro Numa diversidade e uma curadoria da Roberta Estrela D'Alva, assim, como uma diversidade bem bacana E a gente trouxe dois sotaques de língua portuguesa

Uma angolana, da periferia de Angola, e um português É muito bonito ver, também, os poetas, o português de Portugal, o português de Angola, o português do Brasil, coabitando com todas as outras línguas, né? Mas o português, ele é tão igual e tão diferente, né? "[] que bonitinha essa mudinha

" "[] mesmo cravos e espinhas" "[

] expressas da vida louca que lhe aguarda" "[] eu acho importante a gente sempre ficar nesse lugar de fala" "[] não daremos nenhum passo atrás"