Matemática Elementar – Aula 01 – Noções de Teoria dos Conjuntos

[MÚSICA] [MÚSICA] [MÚSICA] >> [CLÁUDIA] OLÁ, EU SOU A PROFESSORA CLÁUDIA E VAMOS INICIAR A AULA UM DA DISCIPLINA MATEMÁTICA ELEMENTAR O TEMA DE HOJE É NOÇÕES DE TEORIA DOS CONJUNTOS

NÓS ESTABELECEMOS COMO OBJETIVO DE APRENDIZAGEM PARA ESSA AULA O SEGUINTE: ESTUDAR UM POUQUINHO SOBRE ELEMENTOS, SOBRE CONJUNTOS, PROPRIEDADES COMUNS E COMO ESSAS PROPRIEDADES GERAM O CONCEITO DE AGRUPAMENTOS BOM, NÓS VAMOS COMEÇAR A FALAR SOBRE CONJUNTOS DE UMA MANEIRA INTUITIVA ENTÃO OBSERVE ESSA FIGURA O QUE VOCÊ VÊ? PESSOAS PESSOAS COLORIDAS, HOMENS, MULHERES BEM, AQUI A GENTE TEM UM AGRUPAMENTO DE PESSOAS ENTÃO NÓS JÁ TEMOS UM CONCEITO DE CONJUNTO A PARTIR DO MOMENTO QUE A GENTE AGRUPA ESSAS PESSOAS, A GENTE ESTÁ FORMANDO A IDEIA DE CONJUNTO, ESTÁ CERTO? MATEMATICAMENTE NÓS PODEMOS REPRESENTAR UM CONJUNTO DE DIVERSAS FORMAS

UMA DELAS É ESSA QUE ESTÁ AQUI DETALHADA NÓS REPRESENTAMOS OS CONJUNTOS POR MEIO DE DIAGRAMA ENTÃO NÓS TEMOS AQUI UM DIAGRAMA COM OS SEUS ELEMENTOS, CADA PESSOA É UM ELEMENTO DESSE CONJUNTO OUTRA INDICAÇÃO PARA CONJUNTO QUE NÓS TEMOS SÃO AS LETRAS DO ALFABETO NÓS PODEMOS REPRESENTAR ESSE CONJUNTO, POR EXEMPLO, PELA LETRA "A"

ENTÃO NÓS TEMOS AQUI UM CONJUNTO FORMADO POR PESSOAS OUTRA MANEIRA QUE NÓS TEMOS PARA REPRESENTAR OS CONJUNTOS É LISTANDO TODOS OS SEUS ELEMENTOS, ESTÁ CERTO? BOM, ENTÃO EU LISTEI AQUI TODAS AS PESSOAS QUE ESTÃO NESSE CONJUNTO UMA NOVA REPRESENTAÇÃO É DESTACAR TODAS ESSAS PESSOAS ENTRE CHAVES E SEPARÁ-LAS POR VÍRGULAS TEMOS AQUI UMA NOVA REPRESENTAÇÃO DE CONJUNTOS, ESTÁ CERTO? ENTÃO ESSE CONJUNTO QUE NÓS CHAMAMOS DE "A" É O MESMO CONJUNTO QUE ESSE, SÓ QUE COM UMA NOVA REPRESENTAÇÃO, OS ELEMENTOS ESTÃO LISTADOS NÓS PODEMOS TAMBÉM APRESENTAR UM CONJUNTO DESCREVENDO A PROPRIEDADE DE TODOS OS SEUS ELEMENTOS, CERTO? BOM, A PARTIR DESSE CONJUNTO UNIVERSO QUE NÓS CONSTRUÍMOS, NÓS PODEMOS DEFINIR NOVOS CONJUNTOS POR EXEMPLO, EU FIZ AQUI UM NOVO AGRUPAMENTO NÓS TEMOS O CONJUNTO DOS HOMENS E O CONJUNTO DAS MULHERES

NÓS TEMOS O CONJUNTO "A", VOU INDICAR ESTE CONJUNTO PELA LETRA "H" E ESTE CONJUNTO PELA LETRA "M" ESSES CONJUNTOS QUE SÃO FORMADOS POR PARTES DE UM CONJUNTO MAIOR, ELES RECEBEM UM NOME EM PARTICULAR, ELES SÃO SUBCONJUNTOS DESSE CONJUNTO MAIOR, ESTÁ CERTO? ENTÃO AQUI A GENTE JÁ TEM DOIS CONCEITOS IMPORTANTES O CONJUNTO DE UNIVERSO, QUE É AQUELE QUE REÚNE TODOS OS NOSSOS OBJETOS DE INTERESSE, E NÓS TEMOS TAMBÉM O CONCEITO DE SUBCONJUNTOS, O CONJUNTO DAS MULHERES E O CONJUNTO DOS HOMENS BOM, MAS NÓS PODEMOS FAZER OUTROS TIPOS DE AGRUPAMENTOS TAMBÉM ENTÃO NÓS TEMOS AQUI UMA NOVA REPRESENTAÇÃO

ENTÃO VEJAM, O MESMO UNIVERSO FOI SUBDIVIDIDO EM QUATRO CONJUNTOS AGORA NÓS SEPARAMOS AQUELAS PESSOAS TODAS PELAS CORES ENTÃO AQUI NÓS TEMOS AS PESSOAS LARANJAS, AQUI AS PESSOAS VERDES, AQUI AS VERMELHAS E AQUI A AZUL ENTÃO, É UM NOVO TIPO DE AGRUPAMENTO QUE NÓS PODEMOS FAZER MUITO BEM

AINDA COM ESSA IDEIA, NÓS PODEMOS DESTACAR DOIS CONJUNTOS QUE SÃO MUITO IMPORTANTES: O CONJUNTO UNITÁRIO E O CONJUNTO VAZIO O QUE É O CONJUNTO UNITÁRIO? O CONJUNTO UNITÁRIO É AQUELE FORMADO POR UM ÚNICO ELEMENTO NO CASO, NÓS TEMOS SÓ UMA MULHER QUE APARECE AQUI COM A COR AZUL ENTÃO UMA REPRESENTAÇÃO PARA ESSE CONJUNTO UNITÁRIO, VOU CHAMAR AQUI ESTE CONJUNTO DE "B", ELE PODE TER ESSA REPRESENTAÇÃO OU TAMBÉM ESTA REPRESENTAÇÃO, ENTRE CHAVES, NÓS LISTAMOS TODOS OS ELEMENTOS QUE PERTENCEM A ESSE CONJUNTO BOM, O CONJUNTO VAZIO É O CONJUNTO QUE NÃO TEM ELEMENTOS, ESTÁ CERTO? ENTÃO NO PRÓPRIO UNIVERSO QUE NÓS DESCREVEMOS AQUI, NÓS PODEMOS DEFINIR UM CONJUNTO VAZIO

POR EXEMPLO, O CONJUNTO DAS PESSOAS SEM CABEÇA ALI NAQUELE NOSSO CONJUNTO UNIVERSO NÃO TÍNHAMOS NENHUMA PESSOA SEM CABEÇA ENTÃO O CONJUNTO DE PESSOAS SEM CABEÇA DENTRO DAQUELE UNIVERSO É VAZIO NÓS TEMOS DUAS REPRESENTAÇÕES PARA CONJUNTO VAZIO: NÓS PODEMOS REPRESENTÁ-LO POR MEIO DESTE ZERO CORTADO OU PODEMOS REPRESENTÁ-LO POR MEIO DESSAS CHAVES AQUI É UM CONJUNTO QUE NÃO TEM ELEMENTOS, É O CONJUNTO VAZIO, ESTÁ CERTO? BOM, COM ESSAS IDEIAS INICIAIS, A GENTE PODE PENSAR DE UMA MANEIRA MAIS ABRANGENTE

NÓS PODEMOS, POR EXEMPLO, FORMAR CONJUNTOS COM ELEMENTOS DIVERSOS NÓS PENSAMOS EM CONJUNTO DE PESSOAS, MAS NÓS PODEMOS PENSAR EM CONJUNTOS DE NÚMEROS, CONJUNTOS DE BICHOS, CONJUNTOS DE PLANTAS, FLORES, CORES, CARROS, ROUPAS, FRUTAS, OBJETOS DIVERSOS ENTÃO SE A GENTE OBSERVAR AO NOSSO REDOR, A GENTE VAI IDENTIFICAR DIVERSOS TIPOS DE CONJUNTOS OS CONJUNTOS ESTÃO EM TODA PARTE BOM, EM RELAÇÃO AO NÚMERO DE ELEMENTOS DO CONJUNTO, A QUANTIDADE DE ELEMENTOS QUE A GENTE TEM EM CADA CONJUNTO, A GENTE DEFINE DOIS TIPOS DE CONJUNTOS: CONJUNTO FINITO E CONJUNTO INFINITO

A GENTE DIZ QUE UM CONJUNTO É FINITO QUANDO A GENTE CONSEGUE CONTAR E IDENTIFICAR EXATAMENTE O NÚMERO DE ELEMENTOS DO CONJUNTO, ESTÁ CERTO? E O CONJUNTO É DITO INFINITO QUANDO A GENTE NÃO CONSEGUE CONTAR TODOS OS SEUS ELEMENTOS, SEMPRE VAI EXISTIR MAIS UM ALÉM DAQUELES QUE A GENTE ESTÁ CONTANDO, PELO MENOS UM COMO CONJUNTOS INFINITOS, A GENTE PODE DAR COMO EXEMPLO OS NÚMEROS, OS CONJUNTOS NUMÉRICOS, O CONJUNTO DOS NÚMEROS NATURAIS, O CONJUNTO DOS NÚMEROS INTEIROS; SÃO CONJUNTOS QUE A GENTE VAI ESTUDAR NA AULA DOIS ENTÃO VAMOS RELACIONAR AQUI VÁRIOS CONCEITOS QUE A GENTE VIU ATÉ O MOMENTO QUE FAZEM PARTE DA TEORIA DOS CONJUNTOS O CONCEITO DE CONJUNTO O QUE É UM CONJUNTO? É UMA COLEÇÃO DE OBJETOS

ELEMENTO ELEMENTO É CADA UNIDADE DE UM CONJUNTO SUBCONJUNTOS SÃO OS AGRUPAMENTOS QUE A GENTE FAZ A PARTIR DE ELEMENTOS DE UM OUTRO CONJUNTO UNIVERSO, QUE É O CONJUNTO DE TODOS OS OBJETOS QUE SÃO DE INTERESSE DO NOSSO ESTUDO CONJUNTO UNITÁRIO, QUE POSSUI APENAS UM ELEMENTO

CONJUNTO VAZIO, NÃO POSSUI ELEMENTO E TAMBÉM FALAMOS A RESPEITO DE REPRESENTAÇÕES DE UM CONJUNTO PODEMOS TAMBÉM ESTABELECER ALGUMAS RELAÇÕES ENTRE CONJUNTOS OBSERVEM ESSES DIAGRAMAS NÓS TEMOS AQUI UM CONJUNTO QUE REÚNE TODAS AQUELAS PESSOAS DA COR LARANJA E AQUI NÓS TEMOS UM CONJUNTO QUE REÚNE TODAS AQUELAS PESSOAS DA COR VERDE

A GENTE OBSERVA QUE ESSES DOIS CONJUNTOS NÃO POSSUEM ELEMENTOS EM COMUM SE A PESSOA É LARANJA, ELA NÃO É VERDE SE ELA É VERDE, ELA NÃO É LARANJA ENTÃO A GENTE DIZ QUE ESSES DOIS CONJUNTOS SÃO DISJUNTOS OU MUTUAMENTE EXCLUSIVOS ENTÃO ESSA É UMA RELAÇÃO QUE A GENTE ESTABELECE ENTRE OS CONJUNTOS, ESTÁ CERTO? BOM, UMA OUTRA RELAÇÃO ENTRE CONJUNTOS QUE A GENTE PODE ESTABELECER

CONSIDERANDO ESSES DOIS CONJUNTOS, QUE SÃO SUBCONJUNTOS DAQUELE UNIVERSO INICIAL, NÓS TEMOS A SEGUINTE REPRESENTAÇÃO: TEMOS AQUI O CONJUNTO DAS MULHERES E AQUI O CONJUNTO DAS PESSOAS VERDES BOM, A GENTE OBSERVA QUE ESSES DOIS SUBCONJUNTOS, DAQUELE UNIVERSO INICIAL, POSSUEM ELEMENTOS EM COMUM NÓS TEMOS MULHERES QUE SÃO VERDES, ENTÃO NÓS OBSERVAMOS QUE ESSAS DUAS MULHERES VERDES PERTENCEM TANTO A ESTE CONJUNTO QUANTO A ESTE OUTRO CONJUNTO ENTÃO A GENTE DIZ QUE ELAS PERTENCEM À INTERSECÇÃO DESSES DOIS CONJUNTOS, QUE É UM CASO DIFERENTE DO EXEMPLO ANTERIOR, ESTÁ CERTO? NÓS PODEMOS ESTABELECER VÁRIAS OUTRAS RELAÇÕES E ESSE ASSUNTO A GENTE EXPLORA BEM NESSA AULA UM VOCÊ VAI OBSERVAR AO LONGO DA AULA QUE NÓS PODEMOS FAZER VÁRIAS OPERAÇÕES COM OS CONJUNTOS

OPERAÇÃO DE UNIÃO, INTERSECÇÃO, DIFERENÇA VAMOS LÁ BOM, NESSA AULA, NÓS PRIORIZAMOS AS IDEIAS INTUITIVAS, MAS QUE NOS LEVAM A MUITOS CONCEITOS IMPORTANTES DA TEORIA DOS CONJUNTOS, ESTÁ CERTO? AO LONGO DA AULA NÓS VAMOS EXPLORAR UM POUCO MAIS TODAS ESSAS IDEIAS MAS POR QUE TODAS ESSAS IDEIAS DE CONJUNTOS SÃO IMPORTANTES PARA A GESTÃO PÚBLICA, POR EXEMPLO? EU VOU DAR UMA IDEIA PARA VOCÊS VOCÊS JÁ OUVIRAM FALAR NO CENSO DEMOGRÁFICO BRASILEIRO? O CENSO DEMOGRÁFICO BRASILEIRO É REALIZADO PELO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA ESTATÍSTICA, O IBGE

ENTÃO A CADA 10 ANOS ESSE INSTITUTO REALIZA UMA PESQUISA COM TODA A POPULAÇÃO BRASILEIRA ENTÃO A PARTIR DESSA PESQUISA, A GENTE CONSEGUE SABER A RESPEITO DE QUANTOS SOMOS, QUAL O NÚMERO TOTAL DE BRASILEIROS, QUAL O NÚMERO DE BRASILEIROS POR REGIÃO, OS QUE MORAM NO BRASIL, NÓS CONSEGUIMOS SABER INFORMAÇÕES SOBRE AS CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO, AS CARACTERÍSTICAS DIVERSAS DA NOSSA POPULAÇÃO, POR EXEMPLO, RELATIVAS A GÊNERO, RELATIVOS À IDADE, QUANTOS JOVENS, QUANTOS ADULTOS NÓS TEMOS, AS CARACTERÍSTICAS COM RESPEITO À RELIGIÃO E TODAS ESSAS INFORMAÇÕES SÃO MUITO IMPORTANTES PARA O NOSSO PAÍS, PRINCIPALMENTE PARA A GESTÃO DO NOSSO PAÍS A PARTIR DESSAS INFORMAÇÕES É QUE SE DEFINEM POLÍTICAS PÚBLICAS, É QUE SE TOMAM DECISÕES A RESPEITO DE INVESTIMENTOS E TODA ESSA DIVISÃO POPULACIONAL, ESSA DESCRIÇÃO POPULACIONAL, ELA FORMA UM RETRATO DO NOSSO PAÍS E PERMITEM, DÃO SUBSÍDIOS PARA QUE OS NOSSOS GOVERNANTES CONDUZAM O PAÍS

E, BOM, TUDO ESTÁ RELACIONADO COM TEORIA DE CONJUNTOS BEM, NÓS ENCERRAMOS ESSA INTRODUÇÃO À NOSSA AULA AGORA AO LONGO DA AULA NÓS PROPOMOS VÁRIAS ATIVIDADES, INCLUSIVE UM FÓRUM TEMÁTICO ATÉ A PRÓXIMA AULA! [MÚSICA] [MÚSICA] [MÚSICA] [MÚSICA] [MÚSICA] [MÚSICA]

Destaque ONU News Especial – Plataforma Portuguesa dos Direitos das Mulheres

Olá Seja bem-vindo a mais um destaque especial da ONU News, desta vez transmitido a partir da sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, durante a semana daquele que é o maior de discussão e promoção dos direitos das mulheres

9 mil delegados estão presentes aqui em Nova Iorque para debater, precisamente, esta temática e duas dessas participantes estão comigo no estúdio da ONU News Ana Sofia Fernandes, presidente da Plataforma Portuguesa dos Direitos das Mulheres e vice-presidente do Lóbi Europeu da Mulheres e Alexandra Silva, coordenadora de projetos Plataforma Portuguesa dos Direitos das Mulheres Muito bem-vindas, muito obrigado por terem aceite o nosso convite Sofia começava por si, quais são as principais preocupações que enquanto presidente da Plataforma, mas também dos interesses europeus da mulheres, traz a esta CSW? A Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, naturalmente, utiliza a Plataforma de Ação de Pequim no âmbito do seu trabalho, portanto, são referências para nós E aqui, o tema deste ano, o tema prioritário, é particularmente importante porque estamos a falar de proteção social, estamos a falar de inclusão social, estamos a falar de uma sociedade que cria condições para que mulheres e homens, de facto, possam ter uma vida digna

Ao fim e ao cabo é isso que estamos a falar E nós enquanto também coordenação em Portugal do Lóbi Europeu das Mulheres temos uma grande preocupação relativamente à criação de condições de vida que permitam a raparigas e rapazes, mulheres e homens, realizarem-se, independentemente, de estereótipos de género e conseguirem ter, de facto, uma vida com dignidade Ao nível europeu, há várias questões que nos preocupam, naturalmente Nós sabemos que nos últimos dez anos tem havido até um retrocesso em relação aquilo que eram direitos já estabelecidos em muitos países da União Europeia, e, portanto, nós verificamos que neste momento de alguma forma de forças contraditórias relativamente ao que se entende como direitos humanos das mulheres, ao que se entende como igualdade de género, e portanto, há forças que pretendem fazer regredir Pode dar-nos alguns exemplos? Posso dar alguns exemplos, claro

As organizações da sociedade civil e aquelas que representam as mulheres e raparigas e que trabalham pela igualdade de género, em vários países da União Europeia, têm vindo a assistir ao seu espaço ser restringido por força, muitas vezes do que parecem ser mecanismos administrativos do Estado, mas que muitas vezes pretendem tirar a visibilidade e a voz e tentar que as mulheres voltem a ter os chamados papeis tradicionais muito relacionados à maternidade, muito relacionados ao espaço do privado, às tarefas domésticas Isto está a acontecer em vários países, está a acontecer na Polónia, está a acontecer na Hungria, na República Checa, portanto, em vários países Há um movimento de facto de regressão nestes países em relação a direitos adquiridos E por isso é tão importante esta mobilização e coordenação entre países para promover os direitos das mulheres, que também acontece no espaço da Cplp, Alexandra Também acontece no espaço da Cplp, até porque a Cplp tem desde 2010 um plano estratégico para a igualdade de género e o empoderamento das raparigas e das mulheres, plano esse que depois se traduz em planos de ação com um tempo de dois anos e, neste momento, existe um plano de ação de 2018 a2020 com vários eixos, que cruzam desde a educação, à saúde, à violência contra as mulheres, passa também pelas questões dos mecanismos nacionais para a promoção da igualdade

Por uma série de questões, no fundo, todas as questões que têm de ver com a vida das mulheres E é um plano que importava, de facto, dar mais a conhecer às organizações dos direitos das mulheres que existem nestes nove países, porque são muito diversos entre si, estes países, mas têm uma coisa em comum, desde logo, que é a língua e que nos une muito, para além de alguma das relações culturais que também temos Na prática como é que conseguem colaborar uns com os outros, como conseguem melhorar e tentar implementar as melhores praticas e aprender com as diferentes realidades? Nós conseguimos de uma maneira muito óbvia que é conhecer a realidade, cada país vai conhecendo a sua realidade e vai transmitindo a sua realidade a sua realidade porque a Cplp não tem um diagnóstico de género traçado na Cplp, o que seria importantíssimo desde logo ter este diagnóstico O que nós temos são diagnósticos nacionais que depois podemos partilhar e a partir daí construir algo em conjunto A partilha de boas práticas é uma das ideias mas se calhar também a aproximação das associações das mulheres é uma outra ideia que nos parece fundamental, porque esta questão que a Sofia acabou de dizer de que restrição do espaço das organizações das mulheres na Cplp ele sempre esteve mais restrito do que em muitos países da União Europeia, Portugal não se inclui tanto, mas outros países sim, até porque há menos organizações de mulheres

E eu estou a pensar, por exemplo, no caso de São Tomé e Príncipe, onde, de facto, há poucas organizações de mulheres E isto permite-nos, de facto, também ajudar e apoiar umas às outras naquilo que é a construção de um espaço de legitimação e de reivindicação de direitos no conjunto da Cplp e acho que seria importantíssimo que, entre organizações de direitos das mulheres, se conseguisse esta união para também sermos mais vocais no espaço da Cplp, enquanto comunidade com cariz político e económico Naturalmente, e pelo que percebo no espaço da Cplp, um dos temas que também levantou bastante preocupação, aqui, na edição deste ano, junto da delegação portuguesa e de outras delegações é a questão do homicídio da mulher, o femicídio É uma preocupação também para a Plataforma portuguesa? De que forma têm tentado abordar essa questão? É uma preocupação de fundo A violência contra as mulheres forma um contínuo que pode ir de formas muito subtis como assédio de rua até às formas extremas como o femicídio, como refere e é algo que decorre da violência estrutural de uma sociedade ainda patriarcal muito imbuída em estereótipos de género e dominação masculina ao fim e ao cabo

Estamos a falar de homens que matam as mulheres, e por isso, nós chamamos mesmo femicídio E os números têm vindo a crescer… Infelizmente, verifica-se, de facto, nos primeiros dois meses em Portugal, que os números são gritantes Há muitas razões, certamente, nós a Plataforma fizemos o chamado relatório alternativo à Convenção de Istambul e identificámos uma série de fatores, desde falta de coordenação entre os tribunais, aliás de todas as estruturas, da policia, judicial, dos tribunais, etc, mas também e isso é uma questão fundamental, parece-nos que apesar de Portugal ter feito, de facto um grande trabalho, nos últimos vinte anos nesta área, e isso há que reconhecer, mas por vezes, as intervenções carecem de uma perspetiva transformadora Nós temos que alterar o paradigma, não pode ser aceitável, e desde logo que rapazes e homens e aqui a educação tem um papel fundamenta nas escolas etc, tem de se passar a uma fase em que não é aceitável falar -se de violência de forma banal Não se pode naturalizar os comportamentos de violência e preocupa-nos que isso esteja acontecer entre a população juvenil

As questões da violência no namoro, como são faladas, quase que banalizadas e, portanto, os rapazes, eles próprios têm de sentir que não é aceitável ter uma atitude que é violenta, porque estamos a falar de uma parceira ou de um parceiro estamos a falar de pessoas, e portanto a educação para os afetos e para as relações, nós enquanto feministas temos uma cultura de não violência, a igualdade de género é isso, é uma cultura de paz e de não-violência que tem de se traduzir em tudo o que é intervenções Falta de facto uma intervenção que altere o paradigma E que também combata a violência doméstica que continua a ser um flagelo em Portugal Sim, continua E de que forma é que a Plataforma tenta abordar esta temática? Aqui retomo um bocadinho o que a Ana Sofia disse, desde logo, outra vez, mudando também um bocadinho a forma como nós falamos da matéria

E, de facto, a nossa perspetiva e fomos também bastante vocais quando fizemos o relatório Sombra ao Grevio, à Convenção de Istambul, foi de que há a necessidade de alterar um bocadinho a designação das coisas e nós não gostamos muito de chamar violência doméstica porque remete para um contexto situacional A violência sobre a mulher Exatamente e não para aquilo que é a violência estrutural E nesse sentido, quando tentamos abordar essas questões que cabe dentro da nossa legislação, no âmbito da lei da violência doméstica, falamos em violência em relações de intimidade e falamos da violência, por exemplo de filhos e filhas para pais, de descendentes com ascendentes, falamos em violência em relações de namoro que nos parece também importante alterar a forma como falamos das matérias A violência, em Portugal, em termos de números de queixas feitas às forças de segurança e única estadística oficial que nos podemos basear, ela tem mantido de alguma forma estável entre as 26 mil / 27 mil queixas anuais

O que acontece é que depois essas queixas, são a primeira entrada no sistema judicial, só 15% dessas queixas é que chegam a ser acusadas, ou seja, o Ministério Público só em 15% dos casos dá aso a uma acusação Desses que são acusados, só 7% é que chegam a ser condenados e a condenação é, na maior parte dos casos, uma condenação de pena suspensa, não efetiva, acabam por não ir presos Uma grande impunidade… Há uma grande impunidade parece-nos que é um crime, que apesar de ser um crime público, e isso foi muito importante, a visibilidade de ser um crime público, continua a ser um crime que não é levado muito a sério, aqui é sempre entre aspas, não é, mas continua a ser um crime não levado muito a sério porque a taxa de condenação é muito, muito baixa Muito bem, muito obrigado, o nosso empo acabou, agradeço a presença das duas deixando saudações feministas, naturalmente Muito obrigado por ter estado desse lado, por ter percebido um pouco melhor a perspetiva da Plataforma dos Direitos da mulher

Até breve