h i s t ó r i a ► Iraque. O impacto das sanções. [Legendas em Português]

Ouvimos que meio milhão de crianças morreram Isso é mais do que o número de crianças que morreram em Hiroshima

Vale a pena pagar o preço? Eu penso que é uma escolha muito difícil Mas o preço, Nós achamos que vale a pena pagar o preço! "Castigar Saddam" Half a million children

Destaque ONU News Especial – Plataforma Portuguesa dos Direitos das Mulheres

Olá Seja bem-vindo a mais um destaque especial da ONU News, desta vez transmitido a partir da sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, durante a semana daquele que é o maior de discussão e promoção dos direitos das mulheres

9 mil delegados estão presentes aqui em Nova Iorque para debater, precisamente, esta temática e duas dessas participantes estão comigo no estúdio da ONU News Ana Sofia Fernandes, presidente da Plataforma Portuguesa dos Direitos das Mulheres e vice-presidente do Lóbi Europeu da Mulheres e Alexandra Silva, coordenadora de projetos Plataforma Portuguesa dos Direitos das Mulheres Muito bem-vindas, muito obrigado por terem aceite o nosso convite Sofia começava por si, quais são as principais preocupações que enquanto presidente da Plataforma, mas também dos interesses europeus da mulheres, traz a esta CSW? A Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres, naturalmente, utiliza a Plataforma de Ação de Pequim no âmbito do seu trabalho, portanto, são referências para nós E aqui, o tema deste ano, o tema prioritário, é particularmente importante porque estamos a falar de proteção social, estamos a falar de inclusão social, estamos a falar de uma sociedade que cria condições para que mulheres e homens, de facto, possam ter uma vida digna

Ao fim e ao cabo é isso que estamos a falar E nós enquanto também coordenação em Portugal do Lóbi Europeu das Mulheres temos uma grande preocupação relativamente à criação de condições de vida que permitam a raparigas e rapazes, mulheres e homens, realizarem-se, independentemente, de estereótipos de género e conseguirem ter, de facto, uma vida com dignidade Ao nível europeu, há várias questões que nos preocupam, naturalmente Nós sabemos que nos últimos dez anos tem havido até um retrocesso em relação aquilo que eram direitos já estabelecidos em muitos países da União Europeia, e, portanto, nós verificamos que neste momento de alguma forma de forças contraditórias relativamente ao que se entende como direitos humanos das mulheres, ao que se entende como igualdade de género, e portanto, há forças que pretendem fazer regredir Pode dar-nos alguns exemplos? Posso dar alguns exemplos, claro

As organizações da sociedade civil e aquelas que representam as mulheres e raparigas e que trabalham pela igualdade de género, em vários países da União Europeia, têm vindo a assistir ao seu espaço ser restringido por força, muitas vezes do que parecem ser mecanismos administrativos do Estado, mas que muitas vezes pretendem tirar a visibilidade e a voz e tentar que as mulheres voltem a ter os chamados papeis tradicionais muito relacionados à maternidade, muito relacionados ao espaço do privado, às tarefas domésticas Isto está a acontecer em vários países, está a acontecer na Polónia, está a acontecer na Hungria, na República Checa, portanto, em vários países Há um movimento de facto de regressão nestes países em relação a direitos adquiridos E por isso é tão importante esta mobilização e coordenação entre países para promover os direitos das mulheres, que também acontece no espaço da Cplp, Alexandra Também acontece no espaço da Cplp, até porque a Cplp tem desde 2010 um plano estratégico para a igualdade de género e o empoderamento das raparigas e das mulheres, plano esse que depois se traduz em planos de ação com um tempo de dois anos e, neste momento, existe um plano de ação de 2018 a2020 com vários eixos, que cruzam desde a educação, à saúde, à violência contra as mulheres, passa também pelas questões dos mecanismos nacionais para a promoção da igualdade

Por uma série de questões, no fundo, todas as questões que têm de ver com a vida das mulheres E é um plano que importava, de facto, dar mais a conhecer às organizações dos direitos das mulheres que existem nestes nove países, porque são muito diversos entre si, estes países, mas têm uma coisa em comum, desde logo, que é a língua e que nos une muito, para além de alguma das relações culturais que também temos Na prática como é que conseguem colaborar uns com os outros, como conseguem melhorar e tentar implementar as melhores praticas e aprender com as diferentes realidades? Nós conseguimos de uma maneira muito óbvia que é conhecer a realidade, cada país vai conhecendo a sua realidade e vai transmitindo a sua realidade a sua realidade porque a Cplp não tem um diagnóstico de género traçado na Cplp, o que seria importantíssimo desde logo ter este diagnóstico O que nós temos são diagnósticos nacionais que depois podemos partilhar e a partir daí construir algo em conjunto A partilha de boas práticas é uma das ideias mas se calhar também a aproximação das associações das mulheres é uma outra ideia que nos parece fundamental, porque esta questão que a Sofia acabou de dizer de que restrição do espaço das organizações das mulheres na Cplp ele sempre esteve mais restrito do que em muitos países da União Europeia, Portugal não se inclui tanto, mas outros países sim, até porque há menos organizações de mulheres

E eu estou a pensar, por exemplo, no caso de São Tomé e Príncipe, onde, de facto, há poucas organizações de mulheres E isto permite-nos, de facto, também ajudar e apoiar umas às outras naquilo que é a construção de um espaço de legitimação e de reivindicação de direitos no conjunto da Cplp e acho que seria importantíssimo que, entre organizações de direitos das mulheres, se conseguisse esta união para também sermos mais vocais no espaço da Cplp, enquanto comunidade com cariz político e económico Naturalmente, e pelo que percebo no espaço da Cplp, um dos temas que também levantou bastante preocupação, aqui, na edição deste ano, junto da delegação portuguesa e de outras delegações é a questão do homicídio da mulher, o femicídio É uma preocupação também para a Plataforma portuguesa? De que forma têm tentado abordar essa questão? É uma preocupação de fundo A violência contra as mulheres forma um contínuo que pode ir de formas muito subtis como assédio de rua até às formas extremas como o femicídio, como refere e é algo que decorre da violência estrutural de uma sociedade ainda patriarcal muito imbuída em estereótipos de género e dominação masculina ao fim e ao cabo

Estamos a falar de homens que matam as mulheres, e por isso, nós chamamos mesmo femicídio E os números têm vindo a crescer… Infelizmente, verifica-se, de facto, nos primeiros dois meses em Portugal, que os números são gritantes Há muitas razões, certamente, nós a Plataforma fizemos o chamado relatório alternativo à Convenção de Istambul e identificámos uma série de fatores, desde falta de coordenação entre os tribunais, aliás de todas as estruturas, da policia, judicial, dos tribunais, etc, mas também e isso é uma questão fundamental, parece-nos que apesar de Portugal ter feito, de facto um grande trabalho, nos últimos vinte anos nesta área, e isso há que reconhecer, mas por vezes, as intervenções carecem de uma perspetiva transformadora Nós temos que alterar o paradigma, não pode ser aceitável, e desde logo que rapazes e homens e aqui a educação tem um papel fundamenta nas escolas etc, tem de se passar a uma fase em que não é aceitável falar -se de violência de forma banal Não se pode naturalizar os comportamentos de violência e preocupa-nos que isso esteja acontecer entre a população juvenil

As questões da violência no namoro, como são faladas, quase que banalizadas e, portanto, os rapazes, eles próprios têm de sentir que não é aceitável ter uma atitude que é violenta, porque estamos a falar de uma parceira ou de um parceiro estamos a falar de pessoas, e portanto a educação para os afetos e para as relações, nós enquanto feministas temos uma cultura de não violência, a igualdade de género é isso, é uma cultura de paz e de não-violência que tem de se traduzir em tudo o que é intervenções Falta de facto uma intervenção que altere o paradigma E que também combata a violência doméstica que continua a ser um flagelo em Portugal Sim, continua E de que forma é que a Plataforma tenta abordar esta temática? Aqui retomo um bocadinho o que a Ana Sofia disse, desde logo, outra vez, mudando também um bocadinho a forma como nós falamos da matéria

E, de facto, a nossa perspetiva e fomos também bastante vocais quando fizemos o relatório Sombra ao Grevio, à Convenção de Istambul, foi de que há a necessidade de alterar um bocadinho a designação das coisas e nós não gostamos muito de chamar violência doméstica porque remete para um contexto situacional A violência sobre a mulher Exatamente e não para aquilo que é a violência estrutural E nesse sentido, quando tentamos abordar essas questões que cabe dentro da nossa legislação, no âmbito da lei da violência doméstica, falamos em violência em relações de intimidade e falamos da violência, por exemplo de filhos e filhas para pais, de descendentes com ascendentes, falamos em violência em relações de namoro que nos parece também importante alterar a forma como falamos das matérias A violência, em Portugal, em termos de números de queixas feitas às forças de segurança e única estadística oficial que nos podemos basear, ela tem mantido de alguma forma estável entre as 26 mil / 27 mil queixas anuais

O que acontece é que depois essas queixas, são a primeira entrada no sistema judicial, só 15% dessas queixas é que chegam a ser acusadas, ou seja, o Ministério Público só em 15% dos casos dá aso a uma acusação Desses que são acusados, só 7% é que chegam a ser condenados e a condenação é, na maior parte dos casos, uma condenação de pena suspensa, não efetiva, acabam por não ir presos Uma grande impunidade… Há uma grande impunidade parece-nos que é um crime, que apesar de ser um crime público, e isso foi muito importante, a visibilidade de ser um crime público, continua a ser um crime que não é levado muito a sério, aqui é sempre entre aspas, não é, mas continua a ser um crime não levado muito a sério porque a taxa de condenação é muito, muito baixa Muito bem, muito obrigado, o nosso empo acabou, agradeço a presença das duas deixando saudações feministas, naturalmente Muito obrigado por ter estado desse lado, por ter percebido um pouco melhor a perspetiva da Plataforma dos Direitos da mulher

Até breve

Museu da Língua Portuguesa na Festa Literária das Periferias – FLUP

Sejam bem-vindos Para nós, do Museu da Língua Portuguesa, é uma coisa muito gostosa estar aqui, no meio da FLUP, com todos esses jovens que trabalham a palavra de uma maneira tão criativa

O Museu da Língua Portuguesa sempre tratou da língua viva, da língua que a gente constrói todo dia, de que somos todos autores de língua portuguesa, não é? Eu acho que a batalha de poesia, o slam, ele é um representante dessa produção literária falada Dessa língua viva "[] o público que vinha das ruas sujas de Atenas" "[] a saída do teatro, a manhã nas ruas, as coisas corriqueiras

" "[] indicam que algo sagrado está para começar" Acho muito importante a difusão, a multiplicação de experiências que lidem com a língua portuguesa de forma democrática, de forma aberta, de forma a não afastar as pessoas da língua, mas trazê-las pra dentro da língua portuguesa

A gente, então, organizou, junto com a FLUP, esse sarau de abertura que possibilitou a vinda de vários poetas Então são poetas do Brasil inteiro Tem gente de Minas, tem gente de São Paulo, do próprio Rio de Janeiro Numa diversidade e uma curadoria da Roberta Estrela D'Alva, assim, como uma diversidade bem bacana E a gente trouxe dois sotaques de língua portuguesa

Uma angolana, da periferia de Angola, e um português É muito bonito ver, também, os poetas, o português de Portugal, o português de Angola, o português do Brasil, coabitando com todas as outras línguas, né? Mas o português, ele é tão igual e tão diferente, né? "[] que bonitinha essa mudinha

" "[] mesmo cravos e espinhas" "[

] expressas da vida louca que lhe aguarda" "[] eu acho importante a gente sempre ficar nesse lugar de fala" "[] não daremos nenhum passo atrás"