Respostas emocionais e ansiedade à matemática são tema de pesquisas da UFSCar

Sou professor João do Carmo, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos O meu interesse básico, em termos de pesquisa, são relações de ensino e aprendizagem da matemática e consequentemente uma sub-área que se chama respostas emocionais à matemática [Música] No caso da ansiedade à matemática nós entendemos como um conjunto de reações fisiológicas, cognitivas e comportamentais diante de situações que exijam ou que esperam da pessoa, um desempenho em matemática, seja, por exemplo, um vendedor numa loja que tem que somar os produtos a serem vendidos, que tem que passar o troco para o cliente ou uma pessoa no escritório que tem que fazer uma planilha de cálculos, de gastos etc

, seja numa sala de aula, quando também é requisitado do aluno que apresente um desempenho em matemática, qualquer que seja ele Então quais são as reações que os alunos, de um modo geral, apresentam quando vivenciam a dificuldade diante da aprendizagem da matemática? Reações fisiológicas, que são reações fisiológicas ditas como desagradáveis, por exemplo, uma taquicardia, uma alteração na pressão, para mais ou para menos, gastralgia, cefaléia, visão turva, uma sensação de desmaio e o sono, também é entrecortado pesadelo ou a falta de sono e sempre frequente em um momento de prova, momento de exercício, momentos em que o aluno será testado

Essas reações fisiológicas, evidentemente, acabam, de alguma forma, paralisando o estudante diante daquele esforço que ele está tendo de resolver um problema, ou diante de uma avaliação do professor Não só as reações fisiológicas, mas também reações cognitivas, por assim dizer Por exemplo, o aluno pode aprender regras que são transmitidas culturalmente A matemática é difícil, matemática é para homens, não é para mulheres, é preciso ser um gênio para aprender matemática, coisas desse tipo Além das regras que são passadas, ele também começa a desenvolver auto regras

Eu não sou bom em matemática, não tenho como aprender matemática, não adianta, por mais que eu tente, por mais que eu me esforce eu jamais serei um bom aluno de matemática Consequentemente aparece as reações comportamentais que basicamente são: fuga e esquiva Então aquele aluno que procura sair daquela situação que está vivenciando, por exemplo é comum o aluno pegar a prova e responder rapidamente, o que daria a impressão inicial de que é um bom aluno, aplicado, que ele tem domínio do conteúdo, por isso resolveu rápido Não, é a forma que ele tem de sair daquela situação que está sendo altamente aversiva para ele Então fuga, isso é um exemplo de fuga

Uma esquiva seria o aluno adiar ou evitar o contato com aquele momento de avaliação, da prova, apresentação de um trabalho, a entrega de um trabalho, ir ao quadro resolver alguma situação matemática, enfim Então, reações fisiológicas, reações cognitivas e comportamentais dizem respeito, sobretudo, àquilo que a gente chama de controle aversivo Então situações nas quais o aluno não tem como se esquivar ou foi de imediato, mas ele precisa apresentar um desempenho qualquer e a consequência, geralmente, é a punição

O professor acaba chamando a atenção do aluno, tirando pontos, dando uma pontuação baixa o que vai provavelmente gerar mais erros futuros dentro de situações semelhantes Então a gente percebe, a partir daí, que a continuação dessas situações pode também gerar o que a gente chama de estímulo pré-aversivo Então temos identificado a própria presença do professor, o dia da aula de matemática, um dia antes da prova, horas ou minutos antes da prova, como estímulos pré-aversivos, ou seja, estímulos que sinalizam que, daqui a pouco, pode ocorrer uma situação tão difícil, aversiva, punitiva que vem a gerar aquelas reações que nós identificamos, fisiológicas, comportamentais e cognitivas [Música]